Cultura

Povos africanos deram 'contribuição inestimável' à música do Brasil, diz Zuza Homem de Mello

Em entrevista à Rádio Metrópole, o pesquisador falou sobre o documentário "Zuza Homem de Jazz"

[Povos africanos deram 'contribuição inestimável' à música do Brasil, diz Zuza Homem de Mello]
Foto : Divulgação

Por Juliana Rodrigues no dia 21 de Novembro de 2018 ⋅ 12:27

O jornalista, pesquisador e crítico musical Zuza Homem de Mello comentou, hoje (21), em entrevista à Rádio Metrópole, as semelhanças entre o jazz e a música brasileira. O tema é o fio condutor do documentário "Zuza Homem de Jazz", exibido pela primeira vez no Festival de Cinema do Rio de Janeiro, no início de novembro. O longa tem pré-estreia prevista para a semana que vem, em São Paulo, mas só deve ganhar o circuito comercial em 2019.

Zuza, que também é comentarista da Rádio Metrópole, contou que o jazz norte-americano e a MPB têm na África uma matriz comum, abordada pelo documentário. "Nós fomos muito felizes fazendo essa ponte que existe entre o jazz e a música brasileira, uma vez que ambas vêm do mesmo continente, que é a África. E a África, e principalmente a raça negra, trouxe o jazz para os Estados Unidos e trouxe a música brasileira para a Bahia. E esses são os dois epicentros em que se desenvolveram, desde os anos 1920, dois gêneros que tinham tudo a ver um com o outro. A música brasileira recebeu uma grande influência do jazz a partir dos anos 1920", explicou o pesquisador, sem deixar de lembrar o surgimento da bossa nova, no final dos anos 1950, como uma "devolução" do que o Brasil recebeu da música norte-americana.

"Zuza Homem de Jazz" conta com entrevistas com grandes nomes do jazz, gravadas nos Estados Unidos, e falas de músicos brasileiros como Nelson Ayres, Egberto Gismonti e André Mehmari, além do baiano Letieres Leite, que, segundo Zuza, deu um "depoimento precioso".

Na esteira da influência da África sobre as músicas populares norte-americana e brasileira, o pesquisador ainda falou sobre o Dia da Consciência Negra, celebrado ontem (20). "Esse Dia da Consciência Negra faz muito bem aos jovens, faz muito bem a nós, porque ele ressalta a importância da contribuição inestimável dos afrodescendentes em tudo, nas artes e na cultura brasileira. Os países que têm a música popular mais conhecida no mundo são Estados Unidos, Cuba e Brasil. E não é sem razão. Os afrodescendentes tiveram essa força extraordinária de trazer para os nossos ouvidos aquilo que eles tinham na África, o ritmo. Você não encontra um ritmo forte na música do Paraguai, por exemplo", analisou.

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