Cultura

Professora de Teatro denuncia agressão de aluno na Ufba

O caso ocorreu no sábado (1), quando o grupo Dandara Gusmão tentou impedir a encenação da peça "As Tetas da Loba", que considera racista

[Professora de Teatro denuncia agressão de aluno na Ufba]
Foto : Divulgação

Por James Martins no dia 03 de Junho de 2019 ⋅ 09:47

A professora da Escola de Teatro da Ufba, Deolinda França, usou seu perfil no Facebook para denunciar que sofreu agressão por parte de um grupo de alunos da instituição. O caso aconteceu na noite do último sábado (1), quando era encenada a peça "Sob as Tetas da Loba", dirigida pelo professor Paulo Cunha.

Segundo relatos e imagens publicados na rede social, um grupo denominado Dandara Gusmão invadiu a sala do Teatro Martin Gonçalves e tentou impedir a encenação. Eles alegam que o texto, de autoria de Jorge Andrade (1922-1984) é racista.

"Vivi na tarde/noite de ontem uma das piores situações da minha vida: fui agredida verbalmente e fisicamente! E o mais grave fui agredida não por um bandido nas ruas da cidade, mas por um aluno da Escola de Teatro da UFBA, local onde trabalho! Passei a integrar as estatísticas de professores agredidos por alunos dentro do seu local de trabalho!", relata Deolinda.   

E continua: "Essa organização 'guerrilheira' está há dois anos tocando o terror na Escola de Teatro da UFBA, um ovo da serpente sendo chocado com o aval de alguns alunos e a complacência de alguns professores e o medo de outros, pois sendo os membros da organização negros, todos temem serem acusados de racismo, crime inafiançável!".

No vídeo publicado, o aluno Dêivid Gonçalves, membro do grupo, aparece proferindo as seguintes palavras: "Quem colocou esse chão aqui, que todo mundo tá pisando, não foi nenhum branco, não foi nenhuma branca, foi os braços de irmãos pretos e pretas que fizeram isso (...)".

Em seguida, ele aponta a professora como exemplo racista. "Preste atenção nessa professora, por exemplo, Deolinda, a mulher da França, que sempre traz a vergonha pra gente...", diz. E o vídeo é interrompido, pois o aluno-militante retira o celular das mãos da professora.

"Estava filmando com o meu celular as manifestações agressivas do grupo, quando Deivid, líder da organização guerrilheira e fascista, quando ele me usa como exemplo do que deve ser combatido na Escola! Vem agressivamente na minha direção e arranca meu celular da minha mão com violência, atingindo com seu braço meu rosto, parti para cima dele na tentativa de me defender e recuperar meu telefone, consegui recuperar meu telefone mas sai com os braços marcados pela violência da criatura!", descreve ela.      

No relato, a professora diz ainda que se dirigiu à Delegacia dos Barris, mas não pode prestar queixa "por ter sido agredida dentro do espaço da Universidade Federal da Bahia e meu BO deverá ser feito hoje na Polícia Federal!". Veja: 

Notícias relacionadas

['Rebanho' da mostra CowParade ocupa as ruas de Salvador]
Cultura

'Rebanho' da mostra CowParade ocupa as ruas de Salvador

Por Juliana Rodrigues no dia 09 de Outubro de 2019 ⋅ 14:48 em Cultura

Sessenta esculturas de vacas em tamanho real, feitas em fibra de vidro, ganharam cores e texturas e foram distribuídas por diversos pontos da cidade