Cultura

'Tem que investir na juventude, mas dando as ferramentas corretas', diz diretor geral do Neojiba

Ricardo Castro defendeu que seja oferecida a infraestrutura necessária para o ensino da música às crianças

['Tem que investir na juventude, mas dando as ferramentas corretas', diz diretor geral do Neojiba]
Foto : Tácio Moreira/Metropress

Por Juliana Almirante no dia 25 de Junho de 2019 ⋅ 12:39

O maestro e diretor geral do programa Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia (Neojiba),  Ricardo Castro, defendeu, em entrevista à Rádio Metrópole hoje (25), que seja oferecida a infraestrutura necessária para o ensino da música à juventude brasileira. 

 "A gente tem que investir na juventude, mas dando as ferramentas corretas, porque nossos meninos são incríveis. São tao incríveis quanto os chineses, os africanos, quem quer que seja, o ser humano é incrível", disse.

"Não gosto de dizer que o brasileiro é musical. A gente se vira e acaba desenvolvendo capacidades porque talvez europeu não desenvolva porque a vida dele é mais fácil, mas o ser humano é musical. A música é importante para qualquer criança em qualquer lugar do planeta. E a gente está perdendo a oportunidade de investir na nossa juventude, com essa linguagem que não tem ser humano no planeta que não goste de se comunicar, pela música", completou o maestro. 

Ricardo Castro conta que implantou o programa depois de ter sido convidado pelo governo Jaques Wagner, com a ideia inspirada em um programa venezuelano, que também oferece oportunidades para a juventude local. Ele ressalta que o Neojiba foi  responsável pela entrada da juventude em um dos principal equipamento culturais do estado, o Teatro Castro Alves

 "O que aconteceu com o Neojiba foi que, pela primeira vez, a população de Salvador, a juventude, entraram naquele teatro e resolveram utilizar aquelas salas", afirmou. 

O maestro ainda avaliou a lei que estabeleceu, em 2008, a obrigatoriedade do ensino da música nas escolas, mas não saiu do papel. Para ele, a música deveria ser uma matéria tão importante quanto qualquer outra. 

 "É ponto pacífico pela neurociência que colocar o filho em atividade musical vai desenvolvê-lo integralmente. O Brasil tem a melhor Constituição no planeta, mas é história do papai noel, quem vai pagar essa conta? Tudo é garantido, mas ficou na palavra. A lei da música ficou um pouco nisso. Não deu para aplicar, porque antes de dizer que tem que ter musica nas escolas, tem que formar professores. Tem que ter infraestrutura e formação de conhecimento", ponderou. 

Ricardo pontuou que a comunidade musical também tem que se envolver na defesa pelo ensino da música às novas gerações. 

"A gente tem que abrir essa oportunidade para todo mundo. Nós músicos que tivemos privilégio de viver disso, até então, temos que participar do movimento educacional. Acho que é vergonha um músico só ser artista e não ensinar", considerou.

O diretor também falou sobre a implantação da nova sede do Neojiba no Parque do Queimado, que estava sem uso até então. Ele afirma que, com o projeto acústico do novo espaço, ele pretende "reeducar o público" a ser silencioso e aproveitar a apresentação. Segundo ele, a sede está pronta, com previsão para ser aberta no ia 8 de julho e precisa apenas de um "Habite-se" da prefeitura de Salvador. 

"Tem que fazer silêncio, senão (o barulho do público) entra na acústica da sala. Isso provoca um silêncio mágico e a gente quer reeducar as pessoas a entenderem a importância do silencio", definiu.

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