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Paulinho Boca de Cantor lembra repressão aos Novos Baianos e proximidade com João Gilberto

Cultura

Paulinho Boca de Cantor lembra repressão aos Novos Baianos e proximidade com João Gilberto

Ele afirma que foi um privilégio ter tido contato com os ensinamentos do compositor

Paulinho Boca de Cantor lembra repressão aos Novos Baianos e proximidade com João Gilberto

Foto: Tácio Moreira/Metropress

Por: Juliana Almirante no dia 09 de julho de 2019 às 12:44

O cantor e compositor Paulinho Boca de Cantor falou sobre a repressão ao grupo Novos Baianos durante a ditadura militar e sobre a proximidade com o também compositor João Gilberto, em entrevista à Rádio Metrópole hoje (9). 

Paulinho lembrou o tom contestador da canção "De Vera", que concorreu ao festival de música da TV Record e levou a banda ao programa de Chacrinha.

"A linguagem da gente, poucas pessoas, só quem tava ligado na expressão da palavra, era quem entendia. A gente dizia 'Só me sinto bem quando vem a primavera, com seus passo leves, lentos, mornos para o verão. Liguem os olhos, vocês verão'. A gente tava dando um toque da contestação que estava acontecendo e que a gente era porta-bandeira disso", citou.

O cantor lembra que quando o grupo morou junto em São Paulo, a casa era conhecida como "malassombrada", por conta da proximidade com um cemitério, além da perseguição policial que sofriam.

"O pessoal dizia que nossa casa era 'malassombrada', mas era muito pior que isso. A gente morava em frente a um cemitério. A gente acordava, às vezes, e a casa tava rodeada de policiais, oito camburões, era loucura e barra pesada. Mas a gente encarava tudo isso", recorda. 

Paulinho conta ainda que, diante da repressão da ditadura, imaginava que fossem ser mandados para fora do Brasil, assim como Caetano e Gilberto Gil. "Aqueles cabeludos na rua, encarando a ditadura daquele jeito. Porque encarávamos, saíamos na rua. Quando a gente pintava nosso carro e saia na rua, a polícia vinha atrás e parava", relata. 

Já a relação com João Gilberto começou quando o grupo chegou para morar no Rio de Janeiro.  Paulinho afirma que foi um privilégio ter tido contato com os ensinamentos dele.

"João Gilberto frequentava nossa casa e nasceu essa grande amizade com ele, que sempre existiu. Era um dos caras mais bem humorados. Não sabem disso, pensam que ele era esse jeito de gênio. Ele não era nada disso, quando você chegava perto, não parava de rir e aprendia o tempo todo", relembra.