Cultura

Capinam relembra trajetória e luta para manter Muncab 

Primeiro grande sucesso de Capinam, Ponteio venceu o Festival da Canção de 1967 e marcou época. O poeta acredita que essa canção marcou o fim do regionalismo na MPB

[Capinam relembra trajetória e luta para manter Muncab ]
Foto : Reprodução / Youtube

Por Alexandre Galvão no dia 12 de Junho de 2020 ⋅ 12:16

Poeta, compositor e médico por formação, José Carlos Capinam relembrou a trajetória de sua vida em entrevista a Mário Kertész, hoje (12), na Rádio Metrópole. Autor de grandes sucessos da Música Popular Brasileira (MPB) como “Ponteio” e “Soy Loco Por Ti America”, ele falou de como chegou à música. 

“Ao mesmo tempo em que eu fazia Faculdade de Direito, eu fazia escola de Teatro. Conheci figuras maravilhosas, depois tive contato com o movimento hippie. E foi daí que veio minha provocação. No teatro fiz minha primeira música com Tom Zé. A peça era ‘Bumba Meu Boi’. Era uma interpretação da dança popular, mas contando o siclo da economia do boi, que terminava numa cena de divisão do boi pelas pessoas que podiam comprar um boi. No final o boi é partido e oferecido ao povo a memória do boi para eles se lembrarem que em toda história sempre há revolução. Isso me custou um inquérito militar, passei dez anos fora, mas fiz as parcerias fundamentais, com Gil, Edu Lobo, e Paulinho da viola. Aí eu começo a vida que me dá esse crédito de compositor”, lembra. 

Correndo da repressão militar da ditadura de 64, Capinam partiu rumo a São Paulo, mas não se adaptou. “Fiquei pouco em São Paulo. Não me agradava não. O que São Paulo oferece em termo de cultura, de oportunidade, é muito grande. Não me adaptava, São Paulo não tem mar. Isso me deixava um pouco carecido, precisando de praia. Fui para o Rio de Janeiro. Lá eu tinha uma prima fantástica que me deu guarida”, contou. 

Ponteio – Primeiro grande sucesso de Capinam, Ponteio venceu o Festival da Canção de 1967 e marcou época. O poeta acredita que essa canção marcou o fim do regionalismo, não só na música, mas também no cinema. “Os festivais de música tinham como peça forte o Nordeste. As músicas disparadas vencem com temática nordestina. Era uma senha de cultura rebelde. É em 67 que Ponteio encerra esse ciclo. A partir de então, você vê na MPB a volta do tema urbano até com Caetano e Gil fazendo ‘Domingo no Parque’ e ‘Alegria, Alegria’. Ambos com temática fora do Nordeste, com uma visão urbana, não mais rural”, disse. 

Parceria com Gilberto Gil que ganhou o mundo, “Soy Loco Por Ti America”, outra composição de Capinam, é descrita pelo autor como “uma bíblia”. “Eu entreguei a Gil nos bastidores do festival da canção e o Gil é incrível como compositor. Aquela letra é uma bíblia. Dá um ritmo fantástico, sem mudar uma letra”.

À frente da direção do Museu Nacional de Cultura Afro Brasileira (Muncab), Capinam ressalta a importância do espaço na formação cultura do Brasil, mas lamenta as dificuldades que enfrenta. “Disseram que recebemos milhões na gestão de Gil, o que nunca aconteceu. Recebemos uma parcela, depois outra, que acabou agora. Estamos esperando que a terceira parcela seja aprovada. Acabou o ministério [da Cultura], mas o convênio continua. Vamos ver se mantemos o projeto do museu. É uma luta. Tem algumas pessoas que estão nos ajudando, um projeto tão longo, demorado. [...] no ministério de Juca Ferreira perdemos a chance de federalizar o museu, que é a forma de não ficar precisando de convênios e pedidos de doação para manter o museu. Acho que vamos vencer essa história”, sinalizou. 

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