Cultura

Com 60 anos de carreira, Ruy Castro anuncia curso para escrita ficcional, não-ficção e crônica

Escritor e jornalista vê oportunidade de transmitir experiência aprendida na escrita: "Série de técnicas e macetes"

[Com 60 anos de carreira, Ruy Castro anuncia curso para escrita ficcional, não-ficção e crônica]
Foto : Metropress

Por Matheus Simoni no dia 31 de Julho de 2020 ⋅ 13:41


O escritor e jornalista Ruy Castro prepara o lançamento de um curso em agosto para, batizado de Três Graus da Escrita, no qual abordará as características da produção de ficção, de não ficção e da crônica. O curso será feito de forma online, organizado pelo Instituto Estação das Letras, do Rio de Janeiro, e ocorrerá pela plataforma Zoom nos dias 3, 10 e 17 de agosto, das 19h às 21h.

Em entrevista a Mário Kertész hoje (31), durante o Jornal da Metrópole no Ar da Rádio Metrópole, Castro narrou que a iniciativa tem como objetivo compartilhar com os participantes uma experiência de 60 anos.

"Nos últimos 10 ou 15 anos, tenho dado cursos tentando passar um pouco de minha experiência. São quase 60 anos lidando com essa coisa extraordinária e fabulosa que o homem inventou, que é a palavra. É o que tenho feito esse tempo todo, trabalhando com a palavra nos mais diversos contextos. Fui jornalista durante mais de 20 e tantos anos. De 30 anos para cá, passei a trabalhar com livros, quase sempre de não-ficção. Quando comecei a trabalhar com os livros de reconstituição histórica, foi uma continuação do trabalho de jornalista", disse o escritor.

"Nós jornalistas lidamos com um produto chamado informação. A informação supostamente deveria ser a verdade. Numa biografia ou num livro de reconstituição histórica, eu passo anos em cada um tentando capturar informações que expliquem a vida daquela pessoa ou contexto que se deu em determinado fato", afirmou Ruy, que é autor de Chega de Saudade, uma reconstituição do Rio entre 1950 e 1970, e A Noite do Meu Bem, que trata da Bossa Nova entre 1945 a 1970. 

Na avaliação do escritor, os futuros alunos têm a chance de desenvolver o trabalho de escrita para além de modelos pré-estabelecidos. "Esse tipo de trabalho exige uma série de técnicas e macetes que eu me sinto em condições de falar sobre ele para uma turma de alunos. Como eu sei que muita gente gostaria de fazer coisas desse tipo, ou mesmo que não goste mas ao ler passe a aproveitá-los melhor, essa é uma das vertentes desse curso que eu vou dar nessa parte da não-ficção", afirmou. 

"Assim como a busca da informação exige a verdade, a busca da imaginação para se fazer um romance e uma ficção exige exatamente uma mentira. Para ser romancista, precisa ser mentiroso, no bom sentido é claro. Você vai inventar uma história que não aconteceu. É o que tento fazer. Só fiz dois romances até hoje, estou trabalhando num terceiro até agora", conta Ruy.

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