Cultura

'Foi uma honra ter sido processado pelo Maluf', diz Paulo Ricardo

Em entrevista à Rádio Metrópole, o artista lembrou ainda um entrevero envolvendo o nome do ex-presidente José Sarney no Maranhão

['Foi uma honra ter sido processado pelo Maluf', diz Paulo Ricardo]
Foto : Divulgação

Por James Martins no dia 17 de Setembro de 2020 ⋅ 08:50

Em entrevista à Rádio Metrópole nesta quarta-feira (16), Paulo Ricardo falou sobre a música "Alvorada Voraz", que muitos fãs tomam como profética do momento político atual. Lançada em 1986, a canção começa dizendo "Na virada do século / Alvorada Voraz / Nos aguardam exércitos / Que nos guardam da paz / Que paz?" e segue listando escândalos do colarinho branco da época. 

"Em 2002, quando lançamos o MTV RPM, eu fiz algumas adaptações na letra... Eu falei, bom, é tanto escândalo que, de repente, posso dar um up-date e colocar alguns mais atuais nessa versão. E mencionei [Jader] Barbalho, Sarney e Maluf, Lalau...", conta o cantor e compositor.

E continua: "Nenhum deles se incomodou muito. Mas a versão gerou histórias muito engraçadas. O Paulo Maluf nos processou. Mas perdeu, porque não havia nenhum tipo de ofensa, eu simplesmente mencionei, numa colagem poética, o nome dele. Mas, confesso que foi uma honra ter sido processado pelo Maluf".

"E tem uma situação também curiosa, em São Luís do Maranhão. Nós chegamos pra fazer o show e havia essa tensão, preocupação da produção local, que me pediu para que eu não mencionasse o nome do Sarney ali. E, muito bem, existem outras versões, não é mesmo em todo show que eu faço essa versão 2002, posso perfeitamente fazer a versão de 86. Mas, quando chegou no momento de 'Alvorada Voraz' o público todo, em peso, mais de cinco, seis mil pessoas... já começou 'Ei, Sarney, vai tomar no cu'! Então, é isso, é rock'n'roll, né?", lembrou.

Sobre a atualidade da letra, o artista confessou seu desânimo com o país. "Eu lamento muito que as coisas não tenham mudado. Mas, ao mesmo tempo, lamento mais ainda quando percebo que vai ser muito difícil que elas mudem. (...) Acho que, infelizmente, a corrupção tá entranhada de uma forma tão profunda que vejo com muito pessimismo a perspectiva de uma mudança a médio prazo". Assista:

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