Cultura

'Os Últimos Melhores Dias da Minha Vida': Anna Penido detalha livro póstumo de Gilberto Dimenstein

Escrito em primeira pessoa, casal relata como foi o processo de descoberta do câncer no pâncreas, os altos e baixos do tratamento e relação com a família

['Os Últimos Melhores Dias da Minha Vida': Anna Penido detalha livro póstumo de Gilberto Dimenstein]
Foto : Metropress

Por Matheus Simoni no dia 19 de Novembro de 2020 ⋅ 14:27

 

O livro “Os Últimos Melhores Dias da Minha Vida”, lançado no início do mês, revela os bastidores e reflexões sobre a vida do jornalista e educador Gilberto Dimenstein, que morreu neste ano, vítima de câncer, aos 63 anos. A obra foi escrita a quatro mãos e teve, além dele, a produção sua esposa, Ana Penido. Em entrevista a Mário Kertész e Malu Fontes hoje (19), durante o Jornal da Metrópole no Ar da Rádio Metrópole, ela comentou como surgiu a ideia de escrever o livro. 

Escrito em primeira pessoa, Gilberto relata como foi o processo de descoberta do câncer no pâncreas, os altos e baixos do tratamento, relação com a família e de como, nas palavras do próprio autor, “o câncer se tornou a chance de eu matar o antigo Gilberto Dimenstein e fazer nascer uma versão melhor de mim mesmo.”

Ana contou que a ideia de escrever a obra partiu de um texto publicado no jornal Folha de S. Paulo, onde o educador falou que 'Aquele Gilberto Dimenstein de antes do câncer morreu'. "Foi tanta repercussão, se espalhou. Era o último dia de 2019 e foi tanta repercussão que a editora Record o convidou para escrever o livro. Como ele já estava mais cansado por conta da quimioterapia, ele disse que só escreveria o livro se tivesse a ajuda de uma jornalista. Como eu sou jornalista, prontamente pulei na frente dele e falei: 'Eu sou esse cara'. Foi muito maravilhoso ter essa oportunidade de, ao longo de quatro ou cinco meses, a gente ir gravando todos esses depoimentos dele que, depois da passagem, eu transformei em livro", conta a víuva do jornalista. 

No livro, o casal também conta parte da história de Gilberto Dimenstein e de alguns dos projetos dele. Autor de mais de dez livros, principalmente focados em problemas sociais, Gilberto Dimenstein foi fundador do site Catraca Livre e passou por diversos veículos de comunicação, como O Globo, Jornal do Brasil, Correio Braziliense, Última Hora e nas revistas Educação, Visão e Veja. 

"Depois que a democracia se reestabeleceu, em tese, no nosso país, quando as coisas foram ficando mais estáveis do ponto de vista político, ele foi buscando desbravar e desvendar as grandes mazelas sociais do país. Ele começou a fazer reportagens sobre assassinatos de meninos em situação de rua nos grandes centros urbanos. Tudo isso foi levando ele para outro espaço de ativismo social e acabou deixando o jornalismo mais convencional e foi se dedicando a criar organizações não-governamentais", narra Penido.

Em relato emocionado, Ana contou detalhes da despedida do marido e sobre a importância de manter o legado ainda vivo. "Foram dias muito bonitos. O filho dele mais novo veio com a mulher morar conosco. Todas as noites nós descíamos e tinha lareira, conversas e cumplicidade. Ele até dizia que esses dias tão lindos faziam com que, no dia seguinte, ele acordasse um pouco triste de saber que já estavam se findando. Foi tudo muito pleno, inclusive no momento da partida", conta.

"Eu estava ao lado dele, nós dois de mãos dadas. Quando ele disse 'eu não aguento mais, eu preciso ir', eu disse: 'Mas não sou eu que vou te segurar aqui, você tem todo o direito de escolher o seu momento de partir. Eu, enfim, abri as portas para que ele se fosse da melhor maneira possível, dizendo que estaríamos sempre aqui, cuidando uns dos outros e honrando o nome dele", diz a escritora.

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