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Morre aos 94 anos a economista Maria da Conceição Tavares

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Morre aos 94 anos a economista Maria da Conceição Tavares

Ícone do pensamento econômico desenvolvimentista, Maria morreu em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro

Morre aos 94 anos a economista Maria da Conceição Tavares

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Por: Metro1 no dia 08 de junho de 2024 às 13:40

Atualizado: no dia 08 de junho de 2024 às 13:43

Morreu neste sábado (8) a economista Maria da Conceição Tavares, aos 94 anos, uma das mais influentes do Brasil. De acordo com amigos e familiares, ela faleceu dormindo durante a madrugada, em Nova Friburgo, Região Serrana do Rio de Janeiro. A família ainda afirmou que a economista será cremada e não haverá velório.

Nascida em Portugal em 1930, Maria se formou em Matemática pela Universidade de Lisboa em 1953 e se mudou para o Brasil no ano seguinte devido à ditadura Salazarista. Mais tarde, concluiu seu mestrado em Economia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e se tornou professora titular dessa instituição, bem como do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

Ela venceu o Prêmio Jabuti na categoria Economia em 1998 por suas contribuições ao pensamento econômico do Brasil. Em 2012, ganhou também o Prêmio Almirante Álvaro Alberto para Ciência e Tecnologia de 2011, concedido pela então presidente Dilma Rousseff (PT).

Entre os anos de 1995 e 1999, também foi deputada pelo Partido dos Trabalhadores no estado do Rio de Janeiro. Trabalhou ainda no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e na Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). Pesquisadores dividem seu trabalho na economia em três fases: quando ligada à Cepal e dedicada ao desenvolvimento econômico; na Unicamp, quando dialogava com textos de autores como Karl Marx e Michal Kalecki; e, por fim, na UFRJ, quando discutiu economia política internacional, a partir da análise econômica global dos anos 1980.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lamentou a morte da economista. "Tive o prazer e a honra de conviver e conversar muito com minha amiga ao longo dos anos, debatendo o Brasil e os nossos desafios sociais e econômicos no Instituto Cidadania, em conversas no Rio de Janeiro ou em viagens pelo Brasil", disse em nota.

Já o presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Márcio Pochmann, afirmou que Maria era uma intelectual comprometida e que "deixa uma trajetória exemplar de educadora engajada no que de melhor o pensamento crítico gerou no Brasil".