
Economia
Mais de 100 milhões usam cartão de crédito no Brasil, diz presidente do BC
Galípolo alerta para uso recorrente de crédito caro e defende alternativas mais adequadas para reduzir endividamento

Foto: Roque de Sá/Agência Senado
Com base em estimativas do IBGE, o número representa quase metade da população brasileira, estimada em 213 milhões de habitantes em julho de 2025.
Segundo Galípolo, o uso recorrente de linhas emergenciais como fonte de renda exige debate estrutural. "Nossa dimensão do BC é como a gente consegue construir alternativas para o cliente ter uma opção mais adequada à situação dele", afirmou.
Ele também alertou que uma eventual intervenção nas taxas pode ter efeitos colaterais. "Então pode aumentar situação de desconforto, tema que vem sendo debatido bastante dentro do Banco Central", disse, ao comentar a possibilidade de limitação dos juros.
Dados do Banco Central indicam que a taxa do crédito rotativo do cartão chegou a 425% ao ano em janeiro, a mais alta do mercado. Em 12 meses, o volume dessa modalidade cresceu 31%, atingindo R$ 84,8 bilhões.
A discussão ocorre em meio à preocupação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o nível de endividamento das famílias. Em evento em Anápolis (GO), ele afirmou: "Falei para meu ministro da fazenda [Dario Durigan] pra gente resolver a dívida das pessoas. Não quero que deixem de endividar para ter coisas novas na vida, mas ver como a gente faz pra facilitar o pagamento do que devem".
Galípolo também atribuiu o aumento do endividamento a uma sequência de choques econômicos recentes, como a pandemia de Covid-19, a guerra na Ucrânia, tensões comerciais envolvendo os Estados Unidos e o atual conflito no Oriente Médio.
"O cidadão vê os preços. Entende pouco de IPCA, mas vê o preço do leite e do pão. A gente vem de quatro choques consecutivos. Mesmo que consiga controlar a inflação, os preços subiram quatro degraus. Isso se soma ao que está impactando orçamento das famílias", explicou.
Segundo ele, a pressão sobre a renda levou muitos brasileiros a recorrerem ao crédito. "Cresceu o número de cartões crédito", afirmou.
Por fim, o presidente do BC defendeu o uso mais responsável dessas linhas. Ele ressaltou que o crédito rotativo possui taxas "punitivas" e não deve ser utilizado como complemento de renda.
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