Economia

'Reforma da Previdência tem um valor psicológico muito forte', diz Alexander Busch

Para jornalista econômico, aprovação da reforma pode sinalizar que o governo estaria preparado para fazer outras mudanças

['Reforma da Previdência tem um valor psicológico muito forte', diz Alexander Busch]
Foto : Tácio Moreira/Metropress

Por Juliana Almirante no dia 08 de Maio de 2019 ⋅ 08:55

O jornalista Alexander Busch avalia que a reforma da Previdência do governo Jair Bolsonaro tem um "valor psicológico" muito forte para economia, porque pode sinalizar que o governo estaria preparado para fazer outras mudanças. 

"Essa reforma da Previdência tem um valor psicológico muito forte para a economia. Se o governo mostrar que é capaz de enfrentar interesses da sociedade dentro dessa reforma, esse governo poderia fazer muita coisa. Se o governo conseguir a reforma, estaria preparado para outras reformas que o País precisa. A parte econômica do governo está entre as melhores equipes ecônomicas que o Brasil já viu", disse, em entrevista à Rádio Metrópole.

Ele ainda avalia que os conflitos no governo dificultam a tomada de medidas que podem destravar a economia. "Vejo essa briga extremamente contraprodutiva. Já estamos em maio e foi feita pouca coisa na microeconomia. Mas acho que no fundo isso é um jogo democrático. O governo está nesse momento, apesar da falta de qualidade... Mas estão brigando por quem vai dominar quem. É um processo democrático", pondera.

De naturalidade alemã, Busch vive há anos no Brasil, entre Salvador e São Paulo. Em 2019, ele escreveu o livro "Brasil, país do presente". O jornalista avalia que desde então, o país já mudou muito. "O Brasil não se compara com essa situação. A esperança que tinha há 10 anos atrás de que o Brasil seria um novo poder mundial. Essa ideia não funcionou como estava previsto. A metade dos políticos e empresários que entrevistei estão hoje na prisão ou estão em algum lugar na Justiça. As principais empresas do Brasil, na época, hoje em dia, não existem mais ou estão uma sombra do que era na época", diz. 

Para ele, a mudança radical de perspectiva se deve a mudanças na política econômica do governo, aliadas à crise mundial. "A base que deixou um Brasil em 2009 com um dos principais atrativos caiu, que era preço dos commodities como a soja. Os preços caíram depois em longo período. A politica ecônomica, depois da crise de 2009 mundial, era de largar o tripé econômico de inflação baixa e juros para controlar isso. Largaram isso e aí começou o problema de querer deixar a economia crescer via estado. Isso é uma coisa que funciona bem quando entra muito dinheiro, mas está fadado ao insucesso quando não há dinheiro", afirma.

Além disso, Busch também pontua que a Lava Jato foi responsável pela queda de confiança na economia. "São dois pontos ou três de crescimento. Muitas coisas da economia não funcionam mais, como o petroleo e gás. Isso junto com aumento de tensão na sociedade que tirou poder da política do governo. O governo não poderia mais fazer política econômica como fazia antigamente. Em 2014 e 2015, gerou insatisfações na sociedade e chegou a esse momento que estamos agora. Falta essa ação até agora e não vejo se mexer nessa direção para resolver esse imbróglio", acredita.
 

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