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'Reforma é fundamental, mas incapaz de mudar situação fiscal', diz Antônio Delfim Netto  

Economia

'Reforma é fundamental, mas incapaz de mudar situação fiscal', diz Antônio Delfim Netto  

Ex-ministro acredita que "não tem mágica" para resolver os problemas da economia brasileira

'Reforma é fundamental, mas incapaz de mudar situação fiscal', diz Antônio Delfim Netto  

Foto: Roosewelt Pinheiro/Arquivo Agência Brasil

Por: Juliana Almirante no dia 01 de outubro de 2019 às 09:05

O ex-ministro da Fazenda e professor  Antônio Delfim Netto avaliou, em entrevista à Rádio Metrópole, na manhã de hoje (1º), que considera que a reforma da previdência é fundamental, no entanto, não será capaz de mudar a situação fiscal "desastrosa" do país. A matéria deve ser apreciada no plenário do Senado hoje (1º).

"Na verdade, a reforma da previdência foi dada e é uma coisa absolutamente fundamental, mas é incapaz de mudar a situação fiscal desastrosa que nos encontramos. Basta ver que vai ser aprovada hoje ou amanhã no Senado e vai entrar em vigor, mas, nos próximos quatro anos, talvez reduza em menos de 10 bilhões por ano a despesa da Previdência, que cresce 50 bilhões por ano", disse. 

Para ele, o efeito da reforma para economia brasileira é "relativamente pequeno".  "É fundamental? É. Porque o sistema não tem equilíbrio. De forma que, se você não fizer mais mudanças ainda, as coisas não vão melhorar", pondera. 

Antônio Delfim Netto avalia que a reforma pode melhorar a expectativa a longo prazo, mas não resolve problema da Previdência, que é mundial. 

"No caso brasileiro, tinha uma idade mínima baixa e foram ampliados de maneira exagerada os benefícios. Claro que é um país pobre, mas é uma coisa que precisa fechar aritmeticamente e não fecha", diz. 

O ex-ministro acredita que "não tem mágica" para resolver os problemas da economia brasileira e é preciso apostar no investimento privado, para aumentar a geração de empregos.

"A única forma é estimular o setor privado a assumir investimentos em infraestrutura e através disso, elevar demanda e consequentemente elevar o nível do emprego. Nosso problema é encontrar o nível do emprego e reabsorver na economia 28 milhões de pessoas que estão desempregadas ou desalentadas", pontua.