
Internacional
Macron diz que França votará contra acordo UE–Mercosul
Em dezembro, presidente francês já havia se manifestado sobre a inclusão de novas salvaguardas voltadas à proteção do setor agrícola do país

Foto: House of Lords 2025 /Roger Harris
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que o país votará contra o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, em declaração feita nesta quinta-feira (8). Durante a reunião dos embaixadores do bloco europeu, o posicionamento do presidente será apresentado.
O anúncio do presidente reforça a França como o principal foco de resistência ao avanço do acordo. Outros membros do bloco europeu, como Irlanda, Hungria e Polônia também se posicionaram ao lado do país, enquanto a Itália — que é peça-chave para a concretização do tratado — ainda não se posicionou.
O Brasil é a maior economia do Mercosul. Para o steor produtivo brasileiro, o acordo amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores e tem impactos que vão além do agronegócio, alcançando também diferentes segmentos da indústria nacional. Até o momento, o Itamaraty não comentou a declaração do presidente francês.
Em dezembro, Macron já havia se manifestado sobre a inclusão de novas salvaguardas voltadas à proteção do setor agrícola do país. “Quero dizer aos nossos agricultores, que expressam a posição francesa desde o início, que consideramos que as contas não fecham e que este acordo não pode ser assinado”, disse.
Além disso, o presidente acrescentou que a França também vai se opor a qualquer tentativa de acelerar ou impor a aprovação do pacto. Entre produtores rurais da França, o acordo com o Mercosul é visto como uma ameaça, diante do receio de concorrência com produtos latino-americanos mais baratos e submetidos a padrões ambientais diferentes dos exigidos pela União Europeia.
O governo da França decretou nesta quarta-feira (7) a suspensão temporária das importações de alguns produtos agrícolas, especialmente dos provenientes da América do Sul tratados com agrotóxicos proibidos no bloco europeu.
O acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, além de regras comuns para temas como comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios. O texto é negociado há mais de 25 anos.
Em protesto, agricultores franceses bloqueiam ruas de Paris
Agricultores franceses bloquearam estradas de acesso a Paris e vários pontos turísticos da cidade antes do amanhecer desta quinta-feira, em protesto contra o acordo comercial. "Estamos entre o ressentimento e o desespero. Sentimo-nos abandonados, sendo o Mercosul um exemplo disso", disse Stephane Pelletier, membro sênior do sindicato Coordenação Rural, em entrevista concedida à agência de notícias Reuters no arredores da Torre Eiffel.
O protesto aumenta ainda mais a pressão sobre o presidente Emmanuel Macron e o seu governo, um dia antes da votação prevista entre os Estados-Membros da UE sobre o acordo comercial. Sem maioria no Parlamento, qualquer passo em falso de Macron pode resultar num perigoso voto de censura na câmara.
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