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Críticas a Trump ganham espaço entre atletas dos EUA nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina

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Críticas a Trump ganham espaço entre atletas dos EUA nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina

Protestos contra política migratória e ações do ICE repercutem entre esportistas, apesar de regras olímpicas de neutralidade política

Críticas a Trump ganham espaço entre atletas dos EUA nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina

Foto: Official White House/Daniel Torok

Por: Metro1 no dia 10 de fevereiro de 2026 às 18:48

Atletas norte-americanos que participam dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, na Itália, têm manifestado críticas, ainda que de forma moderada, ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As manifestações ocorrem em meio ao crescimento de movimentos contrários às políticas migratórias e às ações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE), que provocaram protestos no país nas últimas semanas.

A insatisfação ganhou força após a morte de uma mulher em Minneapolis durante uma operação do ICE, episódio que desencadeou manifestações em diversas cidades no final de janeiro e início de fevereiro. O clima político chegou ao ambiente esportivo, mesmo com as restrições impostas pelo Comitê Olímpico Internacional (COI).

Entre os atletas que se posicionaram, o esquiador Hunter Hess foi o que mais provocou reação do governo norte-americano. Em coletiva de imprensa, ele afirmou que representar os Estados Unidos atualmente gera sentimentos contraditórios e destacou que vestir a bandeira do país não significa concordar com todas as ações do governo. “Só porque estou vestindo a bandeira não significa que represento tudo o que está acontecendo nos EUA”, disse.

A declaração provocou forte reação de Trump, que utilizou a rede Truth Social para chamar o atleta de “perdedor” e questionar sua presença na equipe olímpica. Após as críticas, Hess afirmou nas redes sociais que sente orgulho de representar o país e que o ama, mas ressaltou que sempre há espaço para melhorias.

Outros atletas também demonstraram posicionamentos semelhantes. A snowboarder Bea Kim destacou a origem imigrante de sua família e afirmou que a diversidade é uma das marcas dos Estados Unidos. A também snowboarder Maddie Mastro afirmou sentir orgulho de representar o país, mas disse que o momento atual também traz tristeza diante das tensões políticas.

Bicampeã olímpica do snowboard e filha de imigrantes sul-coreanos, Chloe Kim reforçou o reconhecimento pelas oportunidades que os Estados Unidos proporcionaram à sua família, mas defendeu o direito à livre expressão. Segundo ela, é necessário que o debate público seja conduzido com mais empatia e compaixão.

No esqui alpino, Mikaela Shiffrin também afirmou que representar o país neste contexto gera reflexões. Durante entrevista, a atleta citou um trecho de Nelson Mandela sobre a importância da paz, da diversidade e da inclusão, destacando que busca representar seus próprios valores.

O esquiador de freestyle Gus Kenworthy, medalhista olímpico e ex-integrante da delegação norte-americana, fez críticas diretas à política migratória dos Estados Unidos. Atualmente competindo pelo Reino Unido, ele publicou uma foto com uma mensagem ofensiva ao ICE escrita na neve e afirmou que pessoas inocentes morreram em operações do órgão, defendendo maior mobilização contra as ações da agência.

A patinadora artística Amber Glenn, referência da comunidade LGBTQIA+, também criticou o atual governo e afirmou que o período tem sido difícil para o grupo. Após se posicionar, a atleta relatou ter recebido ameaças e mensagens de ódio nas redes sociais.

O porta-voz do COI, Mark Adams, evitou comentar as declarações envolvendo o presidente norte-americano e atletas. Segundo ele, a entidade mantém postura de neutralidade e não se pronuncia sobre manifestações de líderes políticos. “Assim como também não comento as de outros chefes de Estado. Não vou acrescentar mais debate porque não acho que seja muito útil insistir neste tipo de discussões”, afirmou.