Quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Faça parte do canal da Metropole no WhatsApp

Home

/

Notícias

/

Internacional

/

Câmara argentina analisa reforma trabalhista sob greve geral convocada pela CGT

Internacional

Câmara argentina analisa reforma trabalhista sob greve geral convocada pela CGT

Proposta apoiada por Javier Milei prevê férias flexíveis e jornadas de até 12 horas; sessão ocorre em meio a tensão e protestos

Câmara argentina analisa reforma trabalhista sob greve geral convocada pela CGT

Foto: Reprodução/Redes Sociais/X

Por: Metro1 no dia 19 de fevereiro de 2026 às 14:56

A Câmara dos Deputados da Argentina inicia nesta quinta-feira (19) a análise da reforma trabalhista aprovada na semana passada pelo Senado da Argentina. A votação ocorre em meio a uma greve geral convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) e a um cenário de forte tensão política e social.

A sessão foi marcada para as 14h (horário local), após pedido encaminhado ao presidente da Casa, Martín Menem. O governo do presidente Javier Milei considera a votação um dos momentos mais decisivos desde a posse, em dezembro de 2023.

O requerimento de convocação foi assinado por deputados da base governista, incluindo o líder do La Libertad Avanza, Gabriel Bornoroni. A expectativa do Executivo é concluir a tramitação até 1º de março, data de abertura das sessões ordinárias do Congresso.

Se os deputados mantiverem o texto aprovado pelo Senado, a proposta seguirá para promulgação. Caso haja mudanças, o projeto precisará retornar para nova análise dos senadores. A reforma foi aprovada na madrugada do dia 12, com 42 votos favoráveis e 30 contrários, após sessão marcada por forte polarização.

Na véspera da votação no Senado, milhares de manifestantes protestaram nos arredores do Congresso, em Buenos Aires. Os atos terminaram em confronto com a polícia, e cerca de 30 pessoas foram detidas, segundo a agência France Presse. Para esta quinta-feira, o Ministério da Segurança anunciou medidas extraordinárias para a imprensa e criou uma “zona exclusiva” para cobertura em ruas laterais à praça em frente ao Parlamento.

O que está em jogo

Considerada uma das mudanças mais amplas na legislação trabalhista desde a redemocratização, a proposta revisa regras em vigor desde a década de 1970. O governo afirma que a reforma busca modernizar normas, reduzir custos, ampliar a segurança jurídica e incentivar a criação de empregos formais, em meio a um cenário de retração do mercado de trabalho.

Desde que Milei assumiu, cerca de 300 mil empregos formais foram eliminados, sobretudo na construção civil, na indústria e em economias regionais, segundo dados oficiais. O governo sustenta que a flexibilização pode ajudar a reverter essa tendência.

Sindicatos e parte do setor industrial, porém, argumentam que a crise no emprego está ligada à abertura das importações e à perda de competitividade. O presidente da Associação de Pequenas e Médias Empresas Industriais Argentinas (IPA), Daniel Rosato, atribui a crise à “destruição de empresas causada pela abertura indiscriminada das importações”.

Principais mudanças

Entre os pontos centrais da reforma estão:

• Férias mais flexíveis, com possibilidade de fracionamento em períodos mínimos de sete dias e negociação fora do intervalo tradicional
• Ampliação da jornada diária de 8 para até 12 horas, com compensação conforme a demanda e sem pagamento de horas extras, desde que respeitado o descanso mínimo
• Restrição a greves em setores essenciais, com exigência de funcionamento mínimo entre 50% e 75%
• Ampliação do período de experiência para até seis meses, podendo chegar a oito ou 12 em alguns casos
• Redução e parcelamento de indenizações em demissões
• Mudanças nas negociações coletivas, com maior peso para acordos locais
• Alterações nas regras de licenças médicas e acidentes de trabalho
• Medidas de combate à informalidade e regulamentação específica para trabalhadores de aplicativos

Durante a tramitação no Senado, o governo negociou cerca de 30 alterações no texto original. Entre os recuos, retirou o artigo que autorizava o pagamento de salários em moeda estrangeira ou por carteiras digitais e excluiu dispositivo que modificava o sistema de licenças médicas.

Mercado de trabalho

Dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), referentes ao terceiro trimestre de 2025, indicam que a Argentina tinha 13,6 milhões de pessoas ocupadas e cerca de 1 milhão de desempregados, com taxa de desocupação de 6,6%.

A população economicamente ativa era de 15,4 milhões, equivalente a 51,4% do total. Entre os ocupados, 71,9% eram assalariados, mas apenas 63,3% tinham emprego formal com contribuição previdenciária. Considerando autônomos, a informalidade atinge cerca de 43% do mercado.

O setor de serviços concentra aproximadamente 70% dos empregos, seguido por indústria e construção, com 22%, e agropecuária, com 8%. Mais de um quarto dos trabalhadores atua por mais de 45 horas semanais, indicando jornadas prolongadas.