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Saiba quem foi Ali Khamenei, líder supremo do Irã por quase 40 anos, morto em ataques dos EUA e Israel

Internacional

Saiba quem foi Ali Khamenei, líder supremo do Irã por quase 40 anos, morto em ataques dos EUA e Israel

Entenda o papel e a influência do aiatolá Ali Khamenei morto neste sábado (28)

Saiba quem foi Ali Khamenei, líder supremo do Irã por quase 40 anos, morto em ataques dos EUA e Israel

Foto: Divulgação/farsi.khamenei

Por: Metro1 no dia 01 de março de 2026 às 07:48

Atualizado: no dia 01 de março de 2026 às 08:07

O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã por quase 37 anos, morreu aos 86 anos neste sábado (28), após ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel contra instalações iranianas. Khamenei foi a principal autoridade política e religiosa do país desde 1989, acumulando poder sobre o governo, o Judiciário, as Forças Armadas e a política externa. Durante seu comando, tornou-se a figura central da República Islâmica, responsável por decisões estratégicas que moldaram a economia, a segurança e as relações internacionais do Irã.

Como líder supremo, Khamenei era o detentor da palavra final sobre qualquer decisão política ou militar no país. Além de comandar diretamente o Executivo e o Judiciário, supervisionava os órgãos de inteligência e segurança. Ele também exercia influência sobre os líderes regionais e o Parlamento iraniano, consolidando um poder absoluto que o colocava acima de presidentes e ministros. Para muitos, era tanto o guia espiritual quanto o estrategista político do país.

Formação religiosa e trajetória política

Nascido em 1939, na cidade de Mashhad, Khamenei iniciou cedo a formação religiosa. Estudou em Qom e foi fortemente influenciado pelo aiatolá Ruhollah Khomeini. Nos anos 1960, envolveu-se na oposição ao xá Mohammad Reza Pahlavi, sendo preso e torturado por atividades políticas. Sua militância marcou o início de sua ascensão dentro do movimento que culminou na Revolução Iraniana de 1979.

Da Presidência ao comando supremo

Após a revolução, Khamenei assumiu posições estratégicas. Em 1981, sobreviveu a um atentado que deixou seu braço direito paralisado. Poucos meses depois, foi eleito presidente do Irã, cargo que ocupou até 1989. Com a morte de Khomeini, foi escolhido pela Assembleia dos Peritos como líder supremo, mesmo sem o título religioso máximo exigido pela Constituição na época, após alteração legal que permitiu sua nomeação. Um vídeo secreto de 1989 revelou Khamenei surpreso e inseguro com a escolha.

Política interna e controle do poder

Durante seu governo, Khamenei consolidou a Guarda Revolucionária Islâmica e fortaleceu estruturas paralelas ao Estado para manter o controle. Ele reprimiu opositores, censurou jornalistas e liderou campanhas contra protestos populares, incluindo os de 2009 e os de 2022 após a morte de Mahsa Amini. Para ele, preservar os valores da revolução e manter a unidade do Estado justificava essas ações.

Estratégia externa e influência regional

Khamenei também foi estratégico na política externa. Defendeu posição firme contra os Estados Unidos e Israel, apoiando grupos aliados na região, como Hamas e Hezbollah. Apoiou o acordo nuclear de 2015, que visava reduzir sanções internacionais, mas sua implementação foi interrompida em 2018 pelo presidente americano Donald Trump.

Legado e controvérsias

Khamenei deixou um legado complexo. Para aliados, foi o guardião da revolução islâmica e da identidade nacional do Irã; para críticos, simbolizou repressão, concentração de poder e violação de direitos humanos. Sob seu comando, o Irã se tornou uma potência regional com influência militar, política e religiosa consolidada, mas marcada por tensões internas e externas. Sua morte encerra uma era de liderança autoritária que transformou o país e marcou o Oriente Médio.