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Do impasse nuclear à ofensiva militar: entenda a escalada que levou à morte do líder do Irã
Internacional
Do impasse nuclear à ofensiva militar: entenda a escalada que levou à morte do líder do Irã
Morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, neste sábado (28), ocorreu após uma ofensiva coordenada de Estados Unidos e Israel

Foto: Reprodução/IDF
A morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, neste sábado (28), ocorreu após uma ofensiva coordenada de Estados Unidos e Israel contra alvos estratégicos iranianos. A informação foi confirmada pelo governo de Irã, pela agência estatal Fars e também divulgada pelo presidente americano, Donald Trump. Segundo as autoridades iranianas, o aiatolá morreu em seu escritório, em Teerã, durante os bombardeios. O país decretou 40 dias de luto nacional.
A seguir, veja como o conflito evoluiu até chegar ao episódio mais grave da crise.
Irã x Israel: a origem da inimizade
Irã e Israel vivem hoje uma forte tensão, com troca de ataques e ameaças. Mas nem sempre foi assim. Até 1979, os dois países mantinham parceria política, econômica e até militar. A virada aconteceu com a Revolução Iraniana. O xá foi derrubado e o aiatolá Ruhollah Khomeini assumiu o poder, criando a República Islâmica. O novo regime adotou um discurso contrário aos EUA e passou a defender o fim do Estado de Israel.
Antes disso, havia cooperação
Irã e Israel negociavam petróleo, mantinham projetos militares conjuntos e tinham interesses estratégicos em comum no Oriente Médio. O governo iraniano via Israel como aliado contra rivais árabes e contra a influência soviética.
Após 1979, diferenças religiosas e políticas aprofundaram a rivalidade. O Irã passou a apoiar grupos inimigos de Israel, enquanto Israel vê o programa nuclear iraniano como ameaça. A atual crise é resultado dessa ruptura histórica que nunca foi superada.
Irã x EUA: de onde vem a briga
Até os anos 1970, Estados Unidos e Irã eram próximos. Em 1977, o presidente Jimmy Carter chamou o país persa de “ilha de estabilidade”. O xá Mohammad Reza Pahlavi governava com apoio americano, após um golpe em 1953 que derrubou o premiê Mossadegh com ajuda da CIA.
- Golpe e ressentimento
O apoio dos EUA ao xá fortaleceu a monarquia, mas gerou revolta interna. O governo era acusado de repressão, desigualdade e censura. Muitos iranianos passaram a ver Washington como cúmplice da falta de democracia no país.
- Revolução de 1979
A insatisfação explodiu na Revolução Islâmica. Liderados pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, milhões derrubaram o xá e criaram a República Islâmica. O novo regime adotou discurso antiamericano e chamou os EUA de “Grande Satã”.
- Ruptura e crise permanente
Ainda em 1979, estudantes invadiram a embaixada americana e fizeram reféns. As relações foram rompidas e vieram sanções. Desde então, disputas sobre o programa nuclear iraniano, influência regional e ameaças militares mantêm a rivalidade viva até hoje.
Origem da escalada recente
A rivalidade entre Irã e Israel se arrasta há décadas, marcada por disputas indiretas e ataques por meio de aliados regionais. A tensão ganhou novo patamar em abril de 2024, quando Israel bombardeou a embaixada iraniana na Síria e matou comandantes da Guarda Revolucionária.
Em outubro do mesmo ano, o Irã lançou cerca de 200 mísseis contra território israelense após a morte de líderes do Hezbollah e do Hamas em ações atribuídas a Israel. A resposta israelense veio semanas depois, ampliando o ciclo de retaliações. Especialistas classificavam o cenário como uma “guerra indireta”, com confrontos por meio de aliados e operações pontuais.
Junho de 2025: guerra aberta
Em 13 de junho de 2025, Israel iniciou uma ofensiva direta contra instalações nucleares e chefes militares iranianos. Segundo as Forças de Defesa de Israel, mais de 200 aeronaves participaram da operação, atingindo centros de enriquecimento de urânio, como Natanz.
O Irã respondeu com drones e mísseis contra cidades israelenses. Ao longo de quatro dias, quase 250 pessoas morreram nos dois países, conforme balanços oficiais divulgados na época.
Durante esse confronto, segundo autoridades americanas ouvidas pela imprensa internacional, Trump teria vetado um plano israelense para matar Khamenei. O conflito terminou sem solução definitiva sobre o programa nuclear iraniano.
O impasse nuclear
O centro da disputa é o programa nuclear iraniano. Israel e Estados Unidos afirmam que Teerã busca desenvolver armas atômicas. O governo iraniano nega. A Agência Internacional de Energia Atômica informou, após inspeções, que o Irã acumulava urânio enriquecido a níveis próximos do necessário para armas nucleares, embora não tenha confirmado a produção de bombas. Em fevereiro de 2026, EUA e Irã realizavam negociações indiretas em Genebra. A terceira rodada ocorreu dois dias antes dos ataques, sem avanço concreto.
28 de fevereiro de 2026: ataque coordenado
Na manhã de sábado (28), explosões foram registradas em Teerã e em outras cidades como Isfahan, Qom e Kermanshah. Israel afirmou ter atingido centenas de alvos militares. Imagens de satélite analisadas pela BBC mostraram danos no complexo da liderança iraniana.
Horas depois, Trump anunciou que Khamenei havia sido morto. O governo iraniano confirmou. A televisão estatal comunicou a morte e informou que a Assembleia de Peritos iniciaria o processo para escolha do sucessor.
O Crescente Vermelho iraniano informou mais de 200 mortos no primeiro dia. Autoridades locais relataram bombardeios que atingiram áreas civis, incluindo uma escola no sul do país. Parte dessas informações não pôde ser verificada de forma independente devido a restrições à imprensa e bloqueios de internet no Irã.
Retaliação imediata
O Irã lançou mísseis contra Israel e contra bases americanas no Oriente Médio. Explosões foram registradas em países como Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein e Kuwait, onde há presença militar dos EUA.
Israel acionou seus sistemas antimísseis e confirmou novos bombardeios sobre Teerã no domingo (1º). A Guarda Revolucionária afirmou que ampliaria a ofensiva.
O discurso dos líderes
Trump declarou que a operação teve como objetivo impedir o avanço nuclear iraniano e proteger interesses americanos. Ele afirmou que a ofensiva abre oportunidade para mudança de regime. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que o Irã não pode possuir armas nucleares e que a ação busca neutralizar ameaças. O Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou o ataque como agressão militar e afirmou que responderá com firmeza.
Reação internacional
O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, condenou os ataques e pediu respeito ao direito internacional. França, Alemanha e Reino Unido pediram contenção. A China demonstrou preocupação com a escalada. A Rússia classificou a ofensiva como imprudente. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a segurança nuclear deve ser prioridade.
Situação interna no Irã
O país enfrenta crise econômica agravada por sanções internacionais desde 2018, quando os EUA deixaram o acordo nuclear. Nos últimos anos, protestos foram reprimidos com violência. Após a morte de Khamenei, parte da população reagiu com luto. Outra parcela viu possibilidade de mudança política. A internet foi quase totalmente bloqueada, segundo organizações de monitoramento digital.
O que pode acontecer agora
A morte de Khamenei marca um ponto de ruptura. Ele comandava o país desde 1989 e concentrava poder político, religioso e militar. A sucessão será conduzida pela Assembleia de Peritos.
Analistas apontam risco de guerra regional ampliada, já que o Irã mantém alianças com grupos armados no Líbano, Iêmen e outros países. Ao mesmo tempo, há incerteza sobre o futuro do programa nuclear e sobre a estabilidade interna do país. A crise atual representa um dos momentos mais grave da rivalidade entre Irã, Israel e Estados Unidos nas últimas décadas.
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