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Entenda a crise na Bolívia por trás dos protestos e bloqueios que chegam ao 43º dia

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Entenda a crise na Bolívia por trás dos protestos e bloqueios que chegam ao 43º dia

Bloqueios de rodovias, escassez de combustíveis e alimentos, confrontos com a polícia e pressão pela renúncia do presidente Rodrigo Paz marcam a maior crise do país nos últimos anos

Entenda a crise na Bolívia por trás dos protestos e bloqueios que chegam ao 43º dia

Foto: Reuters/Folhapress

Por: Metro1 no dia 11 de junho de 2026 às 15:16

A Bolívia entrou nesta quinta-feira (11) no 43º dia consecutivo de protestos e bloqueios de rodovias, em uma crise que combina insatisfação popular, escassez de produtos básicos, dificuldades econômicas e forte tensão política. As manifestações, que se espalham por diferentes regiões do país, aumentaram a pressão sobre o presidente Rodrigo Paz, que enfrenta pedidos de renúncia e avalia medidas mais duras para conter os atos.

Os protestos ganharam novo impulso nesta semana após uma grande mobilização realizada em La Paz. Milhares de manifestantes partiram da cidade de El Alto e caminharam cerca de 15 quilômetros até o centro da capital boliviana. O grupo, formado principalmente por trabalhadores, camponeses, indígenas, mineiros e professores, se concentrou nas proximidades da Praça Murillo, onde estão localizados o Palácio de Governo e o Congresso Nacional.

A manifestação terminou em confronto com a polícia. Agentes de segurança utilizaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os participantes, que ergueram barricadas e atiraram pedras contra as forças de segurança. Houve detenções e registros de feridos durante os confrontos, segundo veículos locais.

A escalada da tensão ocorre em um momento de crescente deterioração das condições econômicas do país. Desde 2023, a Bolívia enfrenta uma crise provocada pela escassez de dólares, redução das reservas internacionais e dificuldades para manter políticas de subsídios que, durante anos, ajudaram a controlar os preços dos combustíveis.

Crise econômica se aprofunda

A situação se agravou nos últimos meses. Em cidades como La Paz e El Alto, motoristas enfrentam longas filas para abastecer veículos, enquanto hospitais relatam dificuldades para obter medicamentos e insumos médicos. O aumento dos preços dos alimentos também tem impactado o orçamento das famílias bolivianas.

Segundo dados da Administradora Boliviana de Carreteras (ABC), dezenas de rodovias seguem bloqueadas em diferentes departamentos do país. Os pontos de interrupção se concentram principalmente em Cochabamba, La Paz, Potosí e Chuquisaca. As barreiras dificultam o transporte de mercadorias e comprometem a distribuição de alimentos, combustíveis, oxigênio medicinal e outros produtos considerados essenciais.

O governo calcula que os bloqueios já causaram prejuízos superiores a US$ 1,2 bilhão à economia boliviana. Setores empresariais e entidades ligadas ao comércio afirmam que a continuidade das paralisações ameaça agravar ainda mais a inflação e provocar novas dificuldades de abastecimento.

Acusações

Enquanto os manifestantes atribuem a crise à condução econômica do governo, o presidente Rodrigo Paz acusa grupos políticos ligados ao ex-presidente Evo Morales de estimular os protestos. Segundo o governo, as mobilizações possuem motivação política e buscam desestabilizar a administração federal.

Evo Morales, que governou a Bolívia entre 2006 e 2019, nega as acusações. Em declarações recentes a apoiadores na região do Trópico de Cochabamba, o ex-presidente criticou a gestão de Paz e afirmou que o país atravessa uma crise de governabilidade. Morales também voltou a defender mudanças na condução econômica do governo.

Estado de exceção

Diante do avanço dos protestos, o presidente boliviano sancionou uma nova legislação que amplia os instrumentos legais para decretação de estado de exceção. A medida pode permitir restrições à circulação de pessoas, à realização de manifestações e à atuação de grupos organizados em áreas consideradas críticas pelo governo.

A legislação também abre caminho para uma eventual participação das Forças Armadas em operações destinadas a desbloquear estradas e restabelecer a circulação em regiões afetadas pelos protestos. A possibilidade tem provocado preocupação entre organizações sociais e setores da oposição, que temem uma escalada da repressão estatal.

Pressão cresce sobre Rodrigo Paz

A crise atual representa o maior desafio enfrentado por Rodrigo Paz desde que assumiu a presidência há sete meses. Eleito após duas décadas de governos alinhados à esquerda, liderados por Evo Morales e Luis Arce, o presidente prometeu reformas econômicas e maior abertura ao mercado. No entanto, a persistência da escassez de combustíveis, alimentos e medicamentos, aliada à alta do custo de vida, ampliou o desgaste de sua administração.

Sem sinais de acordo entre governo e manifestantes, a crise boliviana segue sem perspectiva de solução imediata. Com estradas bloqueadas, abastecimento comprometido e confrontos cada vez mais frequentes nas ruas, o país atravessa um dos momentos de maior instabilidade política e social desde o retorno da democracia.