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EUA negam vistos a autoridades e jornalistas da Rússia, Irã e Palestina para Assembleia da ONU

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EUA negam vistos a autoridades e jornalistas da Rússia, Irã e Palestina para Assembleia da ONU

Decisões provocaram críticas dos países e questionamentos sobre as obrigações dos Estados Unidos como sede da organização; Mahmoud Abbas participará por videoconferência

EUA negam vistos a autoridades e jornalistas da Rússia, Irã e Palestina para Assembleia da ONU

Foto: ONU/Evan Schneider

Por: Metro1 no dia 22 de setembro de 2026 às 10:35

Os Estados Unidos negaram vistos a autoridades e integrantes da imprensa da Rússia, do Irã e da Autoridade Palestina que pretendiam viajar a Nova York para participar da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O encontro anual começa nesta terça-feira (22), com discursos de líderes de diferentes países.

As decisões provocaram críticas dos governos envolvidos e levantaram questionamentos sobre as obrigações dos Estados Unidos como país-sede da organização. Um acordo firmado em 1947 estabelece, em geral, a obrigação de permitir o acesso de diplomatas estrangeiros a Nova York para participar das atividades da ONU. O governo norte-americano, porém, afirma que pode negar vistos por razões relacionadas à segurança, ao extremismo e à política externa.

Rússia

O Kremlin afirmou nesta terça-feira (22) que os Estados Unidos negaram visto ao vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Alexander Alimov. O porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov, classificou a decisão como um ato “hostil” e disse que ela contraria as obrigações norte-americanas como país-sede da ONU.

Peskov também declarou que Moscou pretende tratar do assunto com Washington.

Irã

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, criticou a negativa de vistos a jornalistas e profissionais de imprensa que acompanhariam a delegação iraniana. Segundo ele, a medida representa uma tentativa de “esconder a verdade” e manter uma campanha de desinformação por meio da restrição ao acesso às informações.

Baghaei também acusou os Estados Unidos de construir uma nova “Cortina de Ferro”, em referência à expressão utilizada durante a Guerra Fria para simbolizar a divisão política e diplomática entre os países ocidentais e a União Soviética.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, viajou de Teerã a Nova York em tom de confronto. Antes da partida, acusou potências mundiais de desrespeitarem acordos firmados e de cometerem crimes contra civis. Ele também condenou o que descreveu como atrocidades em Gaza, na Síria, no Iêmen e no Irã.

Pezeshkian mencionou diretamente o ataque de 28 de fevereiro à Escola Primária Shajareh Tayyebeh, na cidade iraniana de Minab. Autoridades do país afirmaram que mais de 150 pessoas morreram no episódio, incluindo cerca de 120 crianças em idade escolar.

Já o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou que o tema da Assembleia Geral deste ano, “Restaurando a Confiança, Gerenciando a Transformação: Uma Organização das Nações Unidas que Beneficia a Todos”, representa um reconhecimento de que a confiança na organização internacional entrou em colapso.

Araqchi atribuiu a perda de confiança ao desrespeito de diferentes países pelo direito internacional e pelas instituições internacionais.

Autoridade Palestina

Os Estados Unidos também negaram visto ao presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. Ele participará da Assembleia Geral por videoconferência, pelo segundo ano consecutivo.

Na quinta-feira (17), a Assembleia Geral aprovou uma resolução que autoriza Abbas a discursar remotamente. A proposta recebeu 152 votos favoráveis, três contrários e quatro abstenções.

A resolução também permite que Abbas e outros altos funcionários palestinos participem por vídeo de reuniões e conferências da ONU durante o próximo ano, caso sejam impedidos de viajar aos Estados Unidos.

O governo de Donald Trump havia anunciado, um dia antes da votação, a extensão das restrições de visto a autoridades palestinas. Segundo o Departamento de Estado norte-americano, as medidas foram adotadas em razão de ações que Washington afirma terem como objetivo “internacionalizar o conflito israelense-palestino”, incluindo processos contra Israel em tribunais internacionais.

Antes da votação, a vice-embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Tammy Bruce, afirmou que, para ser tratada como parceira, a Autoridade Palestina deveria parar de “subsidiar o terror” e deixar de utilizar a diplomacia como substituto para uma governança que classificou como séria.