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Entenda como a crise do Paraguai levou às renúncias do Presidente e do dirigente do Banco Central

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Entenda como a crise do Paraguai levou às renúncias do Presidente e do dirigente do Banco Central

Banco administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo verbas de aposentadorias; oito diretores do banco Ueno foram presos

Entenda como a crise do Paraguai levou às renúncias do Presidente e do dirigente do Banco Central

Foto: Imagem gerada por Inteligência Artificial/Metropress

Por: Metro1 no dia 05 de novembro de 2026 às 16:51

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou nesta quinta-feira (5), pressionado pela crise do banco digital Ueno e por um processo de impeachment apoiado pela oposição e por parlamentares da própria base governista. A saída se soma à renúncia de Carlos Carvallo, presidente do Banco Central, e à prisão de oito diretores do banco, entre eles o presidente-executivo, Miguel Vázquez.

Origem da crise

Com cerca de 3 milhões de clientes, o Ueno era o maior emissor de cartões de crédito do país e administrava aproximadamente R$ 4,63 bilhões em recursos públicos, incluindo verbas do Instituto de Previdência Social (IPS) e de outros fundos de aposentadorias e benefícios. 

Peña foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno, até março de 2025. Ele já integrava a sociedade antes de assumir a Presidência, em 2023. A oposição o acusa ainda de manipular regras e desviar dinheiro destinado a aposentadorias e benefícios.

O problema começou com empréstimos do Ueno a empresas ligadas à própria instituição. Uma revisão dos registros financeiros mostrou que o índice de solvência, que mede a capacidade de cumprir obrigações, havia caído para menos da metade do mínimo exigido. Sem recursos, o banco deixou milhares de clientes sem acesso ao dinheiro, e o Banco Central determinou sua liquidação na terça-feira (3). Os reguladores também investigavam se o banco financiou indiretamente a venda de uma carteira de ativos de empresa ligada ao Grupo Vázquez, o que o Ueno negava.

Investigação e medidas do governo

O Ministério Público abriu uma investigação criminal. Oito pessoas ligadas ao banco se entregaram após a emissão de mandados de prisão, 27 acusações foram formalizadas pela Procuradoria e a Justiça bloqueou os bens dos investigados.

Para ressarcir os clientes, Peña fechou um acordo com líderes do Congresso para acelerar um projeto que usa o Fundo de Garantia do país. Ele promulgou a lei na última quarta (4) e afirmou que a medida deve assegurar a devolução dos recursos públicos depositados, inclusive os do IPS. No mesmo dia, houve relatos de falhas em aplicativos de outros bancos, diante do aumento das transferências a partir do Ueno. A Associação de Bancos do Paraguai (Asoban) disse que o sistema seguia “operando normalmente”.

Banco Central e mercado

O Banco Central afirmou que o caso é isolado e que a Superintendência de Bancos vai nomear auditores para avaliar os ativos do Ueno, como bens e empréstimos a receber.

Carlos Carvallo, que comandou o Ueno até agosto de 2023, renunciou após críticas de parlamentares à fiscalização do banco. Os congressistas já haviam pedido a saída dos dirigentes do BC depois que o órgão rejeitou, por considerá-lo incompleto, um relatório sobre o Ueno. Ao anunciar a saída, Carvallo disse que a decisão ajudaria a reduzir as controvérsias em torno da instituição.

A crise pressionou os preços dos títulos em dólar emitidos pelo Ueno, com vencimento em 2031, e dos títulos da dívida pública paraguaia. Controlado majoritariamente pelo Grupo Vázquez, o banco passou rapidamente de uma fintech voltada a um público específico a uma instituição de médio porte, em trajetória semelhante à de plataformas como Monzo e Nubank.