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Mapa azul: democratas redesenham o cenário político dos EUA em vitória histórica
Internacional
Mapa azul: democratas redesenham o cenário político dos EUA em vitória histórica
Pela primeira vez em 16 anos, o partido vai governar a maioria dos estados americanos

Foto: Arte Metropress
A eleição de meio de mandato dos Estados Unidos, realizada na terça-feira (3), provocou uma reviravolta no cenário político do país e impôs uma derrota expressiva ao presidente Donald Trump. Em uma votação marcada pelo avanço democrata em regiões tradicionalmente republicanas, o partido conquistou o controle das duas Casas do Congresso, ampliou sua presença nos governos estaduais e alcançou resultados que não eram registrados havia décadas.
O mapa político americano ganhou novos contornos, e Trump terá de enfrentar uma oposição fortalecida nos dois últimos anos de seu mandato. A dimensão da mudança aparece, sobretudo, no Congresso. No Senado, os democratas conquistaram pelo menos 54 cadeiras, incluindo dois senadores independentes que votam com o partido, contra 44 republicanos.
Duas disputas ainda estavam sem resultado definido. Na Câmara dos Representantes, a apuração parcial divulgada pela Ballotpedia em 4 de novembro apontava 233 democratas eleitos, contra 138 republicanos, com outras 64 cadeiras ainda em disputa. A conquista das duas Casas é particularmente significativa porque a última vez que o partido de oposição havia retirado o controle de ambos os plenários de um presidente republicano em uma eleição de meio de mandato foi em 2006, durante o governo de George W. Bush.
O avanço também alcançou territórios que, por muito tempo, foram considerados difíceis para os democratas. No Texas, James Talarico venceu a disputa pelo Senado, tornando-se o primeiro democrata eleito para a cadeira desde 1988. No mesmo estado, Gina Hinojosa derrotou o governador republicano Greg Abbott e se tornou a primeira mulher latina a conquistar o governo texano.
No Kansas, Adam Hamilton também garantiu uma vitória democrata para o Senado, interrompendo uma longa sequência de domínio republicano na disputa pela cadeira. As conquistas mostram que o movimento não ficou restrito aos estados tradicionalmente democratas e alcançou regiões que deram ampla vantagem a Trump na eleição presidencial de 2024.
A mudança chegou ainda aos governos estaduais. Os democratas conquistaram pelo menos cinco governos antes controlados pelos republicanos e passaram a comandar a maioria das unidades da federação pela primeira vez desde 2010. Entre as vitórias estão os estados do Texas, Geórgia, Iowa e Ohio. Os resultados também alteram a correlação de forças nas assembleias estaduais e podem influenciar decisões sobre políticas públicas, regras eleitorais e a organização dos distritos eleitorais para as próximas disputas.
Explicação para o resultado
Parte da explicação para o resultado aparece no comportamento de grupos importantes do eleitorado. Uma pesquisa AP Voter Poll, realizada com mais de 100 mil eleitores, identificou uma mudança expressiva entre os jovens: aproximadamente sete em cada dez pessoas com menos de 30 anos disseram ter votado em candidatos democratas à Câmara. Cerca de seis em cada dez também afirmaram que uma das razões para o voto era demonstrar oposição a Trump. Entre os eleitores hispânicos, aproximadamente seis em cada dez apoiaram candidatos democratas à Câmara, indicando uma reversão de parte dos avanços republicanos registrados em 2024.
As preocupações econômicas também tiveram peso. A pesquisa apontou que a inflação e o custo de vida provocaram dificuldades para uma parcela expressiva das famílias americanas. Entre os eleitores com renda familiar inferior a US$ 50 mil anuais, mais da metade apoiou candidatos democratas à Câmara. A insatisfação com a condução do governo e a cobrança por maior fiscalização do poder presidencial também apareceram entre os fatores associados à escolha dos eleitores.
O resultado, entretanto, não significa que Trump perdeu o mandato ou que os democratas passarão a governar a Casa Branca. O presidente permanece no cargo e conserva poderes importantes, como o de vetar projetos aprovados pelo Legislativo. A mudança está na relação de forças: com o controle do Senado e da Câmara, os democratas terão mais condições de barrar propostas, influenciar a agenda legislativa, convocar autoridades e abrir investigações sobre ações do governo.
A vitória nas urnas, portanto, inaugura uma nova etapa da política americana. Depois de conquistar o segundo mandato presidencial em 2024, Trump terá de lidar com um Congresso controlado pelos adversários e com governos estaduais que também passaram a ter maior presença democrata. Mais do que uma disputa por cadeiras, as eleições de 2026 funcionaram como um recado do eleitorado sobre os rumos do país e colocaram novos limites políticos à administração republicana.
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