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Quarta-feira, 17 de abril de 2024

Jornal Metropole

Celebrar ou lamentar: JM faz levantamento sobre avanços e retrocessos nos últimos dez anos de Salvador

População tem saído da capital em busca de qualidade de vida

Celebrar ou lamentar: JM faz levantamento sobre avanços e retrocessos nos últimos dez anos de Salvador

Foto: Metropress/Filipe Luiz

Por: Daniela Gonzalez no dia 28 de março de 2024 às 00:00

Atualizado: no dia 28 de março de 2024 às 09:25

Matéria publicada originalmente no Jornal Metropole em 28 de março de 2024

Já parou para refletir como era a vida em Salvador há 10 anos? Em 2014, o salário mínimo era de R$ 724, e o metrô só foi inaugurado em junho daquele ano. As empresas de transporte por aplicativo Uber e 99 Pop só chegaram dois e três anos depois, respectivamente. Nos 475 anos de fundação da capital baiana, o Jornal da Metropole retrata as mudanças ocorridas ao longo da última década.

Nos últimos anos, a capital teve uma perda populacional de cerca de 257 mil pessoas. Milhares de habitantes que deixaram as ruas e avenidas soteropolitanas. Mas o que as levou a se afastarem da terra onde tanta gente passa as férias? A resposta para essa pergunta pode ser explicada pelo movimento migratório, que ocorre devido à saturação urbana nas capitais. Ou pode ser resumida na busca por uma melhor qualidade de vida ou um preço menor em um “pedaço de terra”, onde a especulação imobiliária tem deixado tudo mais caro.

É o que diz Mariana Viveiros, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “A procura por novos núcleos urbanos não é apenas em busca de oportunidades de trabalho, mas também de infraestrutura e serviços, além de uma segurança mais eficiente, qualidade de vida e, às vezes, com melhor custo-benefício”, declara Mariana.

Concreto e edifícios
Salvador tem ficado cada vez mais verticalizada. Os dados do Censo Demográfico apontam que entre 2010 e 2022, 1 a cada 4 pessoas moravam em prédios. A primeira capital do país também se tornou a cidade dos viadutos. Atualmente são 54 estruturas distribuídas no território soteropolitano. Nos últimos 10 anos, o governo estadual realizou 11 construções, enquanto a gestão municipal entregou 5, e outras 4 ainda estão em andamento como parte do BRT. Daniel Rebouças, doutor em História, relata que as mudanças ocorridas na última década podem ser observadas como uma radicalização de um projeto que começou nos anos 70. Quando Salvador “rompeu os limites históricos mais clássicos [região do Centro]”, e começou avançar no sentido Av. Luís Viana Filho (Paralela), Acesso Norte e Subúrbio.

“É uma expansão baseada nos veículos, estradas de rodagem e na ocupação do asfalto. Com a radicalidade desse processo, tenta- -se solucionar problemas na mobilidade por meio de sistemas massivos, resultando em uma ocupação do solo com concreto e enfrentando dificuldades para equilibrar as questões ambientais”, explicou.

A crise de mobilidade acentua a negação do direito à cidade. O Observatório das Metrópoles indicou que a frota de veículos em Salvador é a segunda maior do Nordeste, com mais de um milhão de automóveis em 2022, o equivalente a cerca de um veículo para cada dois habitantes. O resultado disso é um dos piores trânsitos entre as capitais.

Pobreza, violência e desemprego
Há 10 anos, após uma longa espera dos baianos, o metrô de Salvador foi inaugurado. No entanto, os soteropolitanos perderam, em 2021, depois de 160 anos em operação, o transporte ferroviário de Salvador, que deixou de funcionar para a instalação do VLT na região. As obras ainda não avançaram e o primeiro lote deverá ser entregue em 2027, três anos depois da previsão inicial. E, em meio às polêmicas, o BRT, que já foi considerado um dos mais caros do país, foi alvo de denúncias e protestos que envolvem críticas à derrubada de centenas de árvores históricas e ao tamponamento de rios. As obras foram iniciadas em 2018, e o corredor viário da 1ª etapa foi inaugurado somente dois anos depois. A conclusão prevista para o primeiro trimestre deste ano ainda não ocorreu.

E, nesta semana de aniversário, Salvador figurou com os piores índices de um estudo divulgado pelo ICS (Instituto Cidades Sustentáveis). A capital dos soteropolitanos foi a última colocada em 7 dos 40 indicadores sociais, entre eles índices de renda, emprego e segurança. A cidade também está no fim da lista em PIB per capita, desnutrição infantil, população abaixo da linha da pobreza, taxa de desocupação e tem a segunda maior taxa de homicídios.