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Leito de denúncias: famílias de pacientes relatam problemas no atendimento e negligência no Hospital Teresa de Lisieux

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Leito de denúncias: famílias de pacientes relatam problemas no atendimento e negligência no Hospital Teresa de Lisieux

Dez anos após Hospital Teresa de Lisieux ser acionado pelo MP, familiares de pacientes voltam a denunciar problemas na unidade de saúde

Leito de denúncias: famílias de pacientes relatam problemas no atendimento e negligência no Hospital Teresa de Lisieux

Foto: Divulgação

Por: Laisa Gama no dia 15 de maio de 2024 às 21:09

Atualizado: no dia 16 de maio de 2024 às 09:54

Matéria publicada originalmente no Jornal Metropole em 15 de maio de 2024

Imponente e em um local de destaque na Avenida Antonio Carlo Magalhães, uma das mais movimentadas da cidade, o Hospital Teresa de Lisieux, credenciado pelo plano de saúde Hapvida, volta a se tornar palco de denúncias sobre atendimento e supostas negligências médicas. Em 2015, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) já havia ajuizado uma ação civil pública contra a instituição e a operadora de seguros por falta de condições materiais, estruturais e sanitárias adequadas à execução dos serviços oferecidos aos consumidores.

Na época, a promotora de Justiça Ana Paula Limoeiro recebeu relatos de consumidores que apontavam ausência de fornecimento de alimentação, de materiais e de medicamentos (inclusive analgésicos e antibióticos). Quase 10 anos depois, familiares e pacientes continuam se queixando na unidade de saúde. Só na última semana, duas denúncias chegaram à Metropole.

Mario José dos Santos, de 77 anos, era médico aposentado e deu entrada no Teresa de Lisieux no dia 7 de maio com distensão abdominal, posteriormente foi diagnosticado com volvo de sigmóide (uma torção em parte do intestino). Seus familiares alegam que a unidade, além de ter demorado para atender as necessidades do paciente, teria realizado um procedimento de maneira equivocada, causando uma lesão na uretra do paciente.

Segundo Suzana Santos, enfermeira e filha de Mário José, o procedimento para descompressão do intestino do paciente só foi pedido no dia seguinte à entrada dele no hospital e realizado 13h depois da solicitação. Ele também teria ficado 24h sem urinar, o que exigiu a aplicação de uma sonda, que, segundo a família, foi introduzida de forma equivocada. O Metro1 teve acesso ao prontuário do paciente que indica que ele aguardava “em sala de abordagem pela urologia devido a suspeita de lesão de uretra após tentativa de sondagem vesical”.

Após passar por duas cirurgias durante o período em que estava internado, Mário não sobreviveu. Em seu atestado de óbito, consta obstrução intestinal e choque séptico, uma infecção que se alastra rapidamente pelo corpo. Marcos Paulo, também filho de Mário, contou que, em reunião com a diretoria do hospital, a equipe teria classificado o que aconteceu com o seu pai como um “circo de horrores”. A família informou que irá acessar todos os dispositivos legais para denunciar o caso.

Outra família peregrinando

No mesmo dia que Mário José deu entrada no hospital, outro ouvinte da Metropole, que preferiu não se identificar, acompanhava o pai que precisava de atendimento na instituição. Com 60 anos, ele tinha suspeita de um AVC (Acidente Vascular Cerebral). Às 18h, pai e filho chegaram ao local, mas às 23h o médico teria informado que a empresa responsável pelos exames de imagem solicitados não teria enviado o laudo - começava aí a peregrinação de mais uma família. Às 8h30 do dia seguinte, o laudo ainda não tinha sido entregue.

Após mais de 14h de espera, o paciente precisou ser transferido para outra unidade, onde realizaria o exame. “Ele foi levado de ambulância para Camaçari, chegando lá, a recepção informou que não havia comunicação nenhuma do hospital Teresa de Lisieux sobre a chegada do paciente, e que ele não poderia realizar o exame pois já tinha passado das 19h e não tinha médico. Ele voltou para o Teresa de Lisieux sem realizar o exame”, contou o filho. O filho detalhou ainda que o pai passou horas sem se alimentar. De acordo com ele, o jantar havia sido solicitado às 20h e até 1h não teria chegado. O paciente continua internado e já realizou o exame pendente.

O que diz o Hapvida

Em contato com a assessoria do Hapvida, que também representa o Teresa de Lisieux, o grupo se solidarizou com a família de Mário José dos Santos e afirmou que investiga os fatos. “A operadora informa que está investigando os fatos e que, por isso e questões de sigilo do paciente, não pode dar detalhes do prontuário médico. A operadora segue empenhada para esclarecer o caso”, informou. Sobre o segundo caso, o Hapvida reforçou que sempre dispõe de alternativas para atender os seus clientes e que o idoso já realizou o procedimento de ressonância