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Promessa de portas abertas: Depois de 13 anos, Casa de Retiro São Francisco reabrirá como hospital

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Promessa de portas abertas: Depois de 13 anos, Casa de Retiro São Francisco reabrirá como hospital

Grupo investigo arrendou o espaço por 20 anos e vai implementar um hospital de cuidados paliativos, tirando o imóvel da lista de abandonados da cidade

Promessa de portas abertas: Depois de 13 anos, Casa de Retiro São Francisco reabrirá como hospital

Foto: Reprodução/My Phantom Toy

Por: Labelle Fernanda no dia 20 de junho de 2024 às 00:07

Traduzida por Jorge Portugal em 2011 como um oásis de calma e sossego no coração de Salvador, a Casa de Retiro São Francisco tem visto se aproximar um possível fim para os 13 anos de portas fechadas e estadia na lista de imóveis abandonados. A história do espaço, relembrada na última edição do Jornal Metropole, vai ganhar um novo capítulo com a implementação de um hospital.

A Casa continua pertencendo à Província Franciscana de Santo Antônio e sob a responsabilidade dos frades do Convento São Francisco, no Pelourinho. Mas um grupo investidor arrendou o espaço pelo prazo de 20 anos renováveis para abertura de uma unidade de saúde especializada em cuidados paliativos e tratamentos de transição, aqueles que visam recuperar as funcionalidades dos pacientes ou reduzir a complexidade de seus quadros antes do retorno ao lar. Os detalhes do projeto foram revelados ao Metro1, sob condição de anonimato, por uma pessoa envolvida diretamente com a implantação do hospital.

O grupo investidor já iniciou a reforma, com a limpeza do terreno e recuperação dos telhados. A cena registrada pelo fotógrafo Carlos Santiago, autor da página de imagens áereas My Phantom Toy, e compartilhada na edição passada do Jornal Metropole já dava sinais de que o espaço passava por intervenções, ao mostrar pilhas de vasos sanitários e pias armazenados na varanda.

Segundo o projeto, ao qual o Metro1 teve acesso, o hospital será uma unidade de saúde para pacientes de longa permanência, aproveitando todas as áreas do imóvel, incluindo os quase 12 mil m² de área verde e as edificações históricas, que são consideradas uma das únicas três construções neocoloniais de Salvador pelo IPAC (Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia). Não haverá novas construções, pelo contrário: a ideia é restaurar as características originais dos imóveis, mantendo inclusive o núcleo de atividade religiosa pastoral com a realização de missas diárias. Além de suítes individuais e leitos de semi-intensiva, o hospital terá áreas para hemodiálise e centros de infusão de medicamentos, de reabilitação e de apoio diagnóstico.

O local funcionou durante 64 anos como uma das maiores casas de retiro da América Latina e foi resultado de uma “articulação do bem” que contou com doações, inclusive de Norberto Odebrecht, que a construiu. Como narrado por Jorge Portugal quando descreveu o espaço, “inúmeras pessoas para lá se dirigem, a fim de passar algumas horas, uma tarde, ou mesmo dias sabem que aquele santuário vivo é um dos grandes bens espirituais e humanos que ainda restam de uma cidade estressada”.