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Visita de MK e Arlete Soares uniu Salvador e o Benin e impulsionou a cultura baiana
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Visita de MK e Arlete Soares uniu Salvador e o Benin e impulsionou a cultura baiana
Em 1987, o então prefeito da capital baiana se tornou a primeira autoridade brasileira a pisar os pés no país africano; viagem trouxe um novo olhar sobre a herança negra na capital baiana

Foto: Arlete Soares
Matéria publicada originalmente no Jornal Metropole em 08 de janeiro de 2026
Em janeiro de 1987, o prefeito de Salvador à época, Mário Kertész, o primeiro eleito de forma democrática na cidade desde a ditadura militar instaurada em 1º de abril de 1964, entrava para a história como a única autoridade brasileira a pisar até então os pés no Benin, país da África Ocidental cujos laços com Salvador são mais próximos do que a maioria das pessoas pode imaginar. Mas não se tratava de uma visita protocolar. Na verdade, integrava um projeto maior, pensado por MK como forma de colocar a cultura soteropolitana no lugar que ela sempre mereceu e com o olhar voltado para a herança negra que faz dela algo único do mundo.
Grande parte da ofensiva para valorizar os elos que unem Benin e Salvador se deve aos esforços da fotógrafa Arlete Soares, então diretora da Fundação Gregório de Mattos (FGM) e autora das imagens que ilustram esta página. Nomeada por MK, Arlete não só participou da visita, com foi uma das principais incentivadoras de missões ao país africano, uma delas realizada em 1986, com a presença do primeiro presidente da FGM, Roberto Dias, de outro diretor da fundação, João Jorge, militante histórico do movimento negro e peça-chave do Olodum.
A dupla Arlete Soares e Mário Kertész foi responsável também por levar ao país da África uma série de personalidades estreladas da cultura baiana e da religiosidade afrobrasileira, tais como Mãe Stella de Oxóssi, Gilberto Gil, Carybé e Jorge Amado, todos entusiastas da iniciativa, com as bênçãos e o apoio de Pierre Verger. A visita deu origem a uma gama de ações. Entre as quais a criação da Casa do Benin, concebida pela lendária arquiteta italiana Lina Bo Bardi no Pelourinho, e da Casa do Brasil, em Uidá, cidade do Benin que foi um dos maiores portos exportadores de pessoas escravizadas para as Américas.
À lista, soma-se ainda o Projeto Terreiro, que formulou e executou de forma inédita uma política pública de proteção fundiária e recuperação física das casas de candomblé de Salvador, e o próprio Carnaval, que deixou de ser pensado somente sob a ótica do turismo e da indústria do entretenimento para se tornar também ferramenta de valorização da cultura local. "A visita que fizemos ao Benin 40 anos atrás modificou minha forma de enxergar a cultura e nossas raízes ancestrais", recordou João Jorge, em entrevista a MK na edição de quarta-feira do Jornal Metropole no Ar. Ah, um trecho dessa aventura africana pode ser lido na autobiografia Riso-Choro (e tudo mais que vem no meio), lançada há pouco mais de três meses.
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