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O que faz do Wanderley Pinho o mais novo queridinho entre os museus baianos

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O que faz do Wanderley Pinho o mais novo queridinho entre os museus baianos

Reinaugurado em dezembro, espaço atrai cinco mil visitantes em apenas um mês, com uma mescla de acervo, arquitetura, curadoria e a força do Recôncavo

O que faz do Wanderley Pinho o mais novo queridinho entre os museus baianos

Foto: Joá Souza/GOVBA

Por: Ismael Encarnação no dia 15 de janeiro de 2026 às 15:00

Mais de cinco mil visitas em um mês. O número, registrado logo no primeiro mês após a reabertura do Museu do Recôncavo Wanderley Pinho, em dezembro de 2025, funciona como um suspiro de alegria para a cultura baiana. Não é apenas estatística: é um sinal claro da importância simbólica, histórica e afetiva do espaço, localizado no Engenho Freguesia, em Caboto, Candeias. A marca revela o interesse do público em revisitar o passado por novas lentes e confirma a retomada do museu como um polo cultural vivo no Recôncavo, atraindo visitantes da Bahia, de outros estados e até do exterior.

Acervo é um dos principais atrativos do museu situado no distrito de Caboto, litoral de Candeias (Fotos de Fernando Barbosa/Ipac)

Instalado em um conjunto arquitetônico histórico que inclui casarão, capela e antigas estruturas do engenho, o museu apresenta um acervo dos séculos 18 ao 19, que vai de mobiliário e arte sacra a documentos, objetos do cotidiano e instrumentos ligados ao trabalho escravizado. Com recursos multimídia, o diferencial, como destaca a coordenadora do espaço, Daniela Steele, está na curadoria: a história é narrada a partir das vozes indígenas, negras e das comunidades do Recôncavo, rompendo com leituras romantizadas do período colonial. 

Núcleos como o da Memória, dos Povos Escravizados e o Doméstico, além da exposição “Encruzilhada”, provocam silêncio, reflexão e confronto com o passado. Mais do que preservar, o museu se propõe a dialogar. Segundo Steele, a visita hoje é sensorial, simbólica e política, com acessibilidade, audioguia em Libras, áreas de descanso e ações educativas. 

Para o futuro, estão previstas residências artísticas, novas exposições temporárias, projetos de inclusão e fortalecimento da mediação cultural, muitos deles voltados a agentes do próprio território. A ideia é manter o Wanderley Pinho como um museu vivo, em permanente construção, capaz de articular memória, arte e crítica social.

Só o caminho já vale
Chegar ao museu já é parte da experiência. Saindo de Salvador, o trajeto pela BA-522 e pela Via Matoim, em direção à Enseada de Caboto, é tranquilo e recompensador. Cada minuto vale pelo que se encontra ao final: um cenário às margens da Baía de Todos-os-Santos, cercado de natureza e história. Também é possível chegar de barco, usando o píer do museu, transformando a visita em um passeio pela baía. Um convite para desacelerar e mergulhar no Recôncavo.