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Conheça histórias de baianos que pediram um amor a Santo Antônio e viram a vida mudar
Às vésperas do dia 13 de junho, baianos relembram pedidos, promessas e até simpatias que ajudaram a transformar namoros em casamentos, aproximar companheiros e realizar o sonho de formar uma família

Foto: Mônica Barbosa/@monicabarbosafotografia
Matéria publicada originalmente no Jornal Metropole em 11 de junho de 2026
Antes das fogueiras de São João tomarem conta das ruas, antes do milho virar canjica e das quadrilhas dançarem forró, para muita gente junho já tem dono: Santo Antônio. O santo casamenteiro atravessa séculos colecionando pedidos, promessas, fitinhas amarradas, velas acesas e até alguns "castigos" criativos.
Na Bahia, onde fé e tradição costumam caminhar de mãos dadas, histórias de amores atribuídos à sua intercessão continuam surgindo e quase todas com um tempero em comum: a esperança de que o coração encontre seu par.
A fama nasceu de antigas histórias que contam a ajuda dada por homem a jovens sem condições de se casar. O tempo passou, mas a reputação seguiu firme e forte. E, convenhamos, poucos santos carregam um currículo tão específico. Enquanto uns são procurados para causas impossíveis, resolver a vida amorosa dos fiéis é o carro-chefe dele.

Foto: Mônica Barbosa/@monicabarbosafotografia
"Quem nunca pediu um amor a Santo Antônio?". A pergunta feita pelo florista e artesão Rodrigo Guedes, de 37 anos, resume bem o clima que toma conta da sua casa todos os anos, no bairro de Santo Antônio Além do Carmo. Há duas décadas ele mantém uma tradição herdada das avós: abrir as portas de casa para as rezas dedicadas ao santo.
Entre altares monumentais, cantigas e devoção, Rodrigo já ouviu de tudo. Gente que amarrou fitinha no pé da imagem, colocou bilhete escondido, acendeu vela, fez promessa e até ameaçou deixar o santo "de castigo" de frente para a parede. E o mais curioso, segundo ele, é que muitos voltam depois para agradecer.
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Entre essas pessoas está a enfermeira Elielza Meireles, de 44 anos, frequentadora das celebrações promovidas por Rodrigo há 15 anos. Durante muito tempo, ela repetiu o mesmo pedido: encontrar alguém para construir uma vida a dois. O companheiro apareceu. Hoje, ela vive há nove anos com Erick Lima. Mas havia um sonho que insistia em não chegar. Mesmo após exames e acompanhamentos médicos, a sonhada gravidez não acontecia.
Em 2021, Elielza resolveu bater outro papo com o casamenteiro mais famoso do calendário católico. Pediu que no ano seguinte realizasse o desejo de ser mãe. Em abril de 2022 veio a notícia da gravidez. Meses depois, retornou às rezas para agradecer. Hoje, a filha tem 3 anos. "Quem tem fé pede e agradece", resume. No fim das contas, Santo Antônio não teria ajudado apenas no capítulo do romance, mas também na continuação da sua história.
Se existe uma corrente do amor, a dona de casa Lanuza Oliveira, de 51 anos, pode falar melhor do que ninguém. Há quase três décadas, uma colega de trabalho lhe entregou uma minúscula imagem metálica de Santo Antônio que carregava esquecida na bolsa. Lanuza, que namorava Adriano, decidiu adotar a companhia do santo. Guardou a imagem na bolsa e brincou consigo mesma: "Agora esse casamento sai".
Dito e certo. Casou. E então fez o que acredita ser parte da tradição. Passou a imagem adiante para outra pessoa que também buscava viver uma história de amor. O detalhe é que ela não lembra mais quem recebeu a pequena peça. Lembra apenas que a recomendação foi clara: quando a graça chegasse, o santo deveria seguir viagem. "Santo Antônio não é para ficar parado", brinca. Quase 29 anos depois, a imagem continua percorrendo caminhos que ela desconhece – e, conforme a crença, aproximando outros casais no percurso.
A história de Délia e Nivaldo Pinheiro parece ter sido escrita pelo próprio departamento de marketing de Santo Antônio. Os dois se conheceram justamente em uma festa dedicada ao santo, na paróquia de São Caetano. Antes de qualquer romance, porém, veio uma aposta. Nivaldo disse aos amigos que conseguiria um beijo de Délia. E conseguiu.
O namoro avançou, o relacionamento floresceu e os dois acabaram se casando no dia 13 de junho, dia do santo. Mais de 35 anos depois, seguem juntos. Délia tomou como obrigação realizar a trezena em casa todos os anos para agradecer a união. E, como boa devota, recorre ao santo não apenas para assuntos do coração. Quando perde alguma coisa, é a ele que pede ajuda primeiro. Afinal, ele também é conhecido por encontrar coisas perdidas.
‘São Congelado’
Nem toda história de amor começa com flores. Algumas começam, acredite ou não, no congelador. Foi o caso da advogada Raquel Rebouças, de 28 anos. Depois de ouvir a sugestão da irmã, resolveu aderir a uma das simpatias mais famosas envolvendo Santo Antônio: colocou a imagem no freezer e fez um pedido bem direto por alguém especial.
Por meio de amigos em comum, o arquiteto Edmundo chegou e, há quase três anos, os dois escrevem sua história. Agora, apaixonados, Raquel e Edmundo contam a história do Santo Antônio na geladeira aos risos. Não só contam como também recomendam. Talvez seja essa combinação entre fé e a leveza da brincadeira que faz Santo Antônio continuar tão popular. É um santo que faz parte das orações, mas também das conversas de família, das piadas e das histórias que seguem sendo contadas por quem acredita que, no amor, toda ajuda é bem-vinda.
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