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Conheça os lugares de Salvador onde a comida é tamanho GG: Gigante e Guloso
De pastel maior que folha A4 a coxinha de 1kg, estabelecimentos de Salvador apostam na fartura extrema para atrair clientes, alimentar grupos inteiros e provar que a moderação passa longe do cardápio baiano

Foto: Metropress/Luan Borges/Duda Matos/Reprodução/Redes Sociais
Matéria originalmente publicada no Jornal da Metropole em 27 de agosto de 2026
Quem é de Salvador sabe que a moderação na hora de comer raramente ganha adeptos. Por aqui, prato acanhado é visto quase como um desacato e mesa bonita é aquela que mal deixa espaço para os cotovelos. Mas, ultimamente, alguns estabelecimentos de Salvador resolveram levar essa fama ao pé da letra e elevar o padrão do exagero. Em uma circulada pela capital, é possível notar que a moda agora é o lanche tamanho GG. Aquele tipo de comida que faz a pessoa parar, tirar o celular do bolso e pensar duas vezes antes da primeira mordida.
Quem quer juntar a galera no fim de semana passa na Barra para encarar a famosa pizza de um metro. Se a ideia for uma refeição reforçada para curar a ressaca, o mocotó em Cajazeiras vem em uma porção que diz servir três pessoas, mas que na prática alimenta seis com tranquilidade. E para os fortes de verdade, o acarajé de 1kg em Pernambués é quase um teste de resistência para quem é apaixonado por dendê. E olhe que estamos em Salvador, e não em Itu, aquela cidade paulista famosa por produzir tudo em tamanho exagerado.
Pastel de gigante
Na Praça Nossa Senhora de Aparecida, no Imbuí, o Pastel de Mainha sacou essa dinâmica rápido. O negócio começou em 2016, com uma família cheia de vontade de empreender. A empresária Camila Santos, de 34 anos, conta que a ideia sempre foi abraçar o público soteropolitano, inclusive batizando as opções da casa com expressões bem conhecidas do vocabulário baianês.
A ideia de criar um pastel gigante veio do marido de Camila, sempre atento a novidades que pudessem criar um burburinho na praça e movimentar o balcão. O plano deu tão certo que o astro do cardápio ganhou o nome: "Tô com fome". O pastel monumental supera o tamanho de uma folha A4, essas que a gente usa na impressora comum, e permite que o freguês escolha até dez itens entre as opções disponíveis para rechear.
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Foto: Luan Borges
A maioria das pessoas vai em grupo e prefere dividir o lanche para economizar, mas Camila conta que de vez em quando aparece um corajoso disposto a comer o pastel inteiro sozinho. Outros preferem não arriscar tanto e pedem para embalar a metade que sobrou para terminar no café da manhã do dia seguinte.
Coxinha não, Coxão!
Do imbuí direto para o Acupe de Brotas, a conversa sobre porções exageradas ganha forma no Outbêco, sob o comando de Fábio Sousa. Foi de lá que surgiu a ideia de colocar no cardápio uma coxinha de costela com cream cheese que pesa exatamente um quilo.
O desafio começou dentro da própria cozinha. Para fazer o salgado gigante dar certo, a equipe precisou adaptar o processo de preparo, modificando o cesto da fritadeira para fritar a peça GG por igual. No primeiro teste aprovado, o resultado não poderia ser outro: teve sessão de fotos, vídeos e a própria equipe se encarregou de saborear a novidade.
Fábio explica que a coxinha gigante atrai principalmente turmas dispostas a dividir a refeição, já que a porção bem servida barateia a conta para todo mundo.

Foto: Duda Matos
Fatia de metro
A pizzaria Jumbo Slice, na Barra, é parada obrigatória para quem gosta de sair de galera. O grande atrativo da casa é a famosa pizza de um metro servida no formato de uma fatia gigante, que é quase uma escultura comestível. Com sabores variados que vão dos tradicionais aos mais elaborados, a pedida pode custar até R$ 300, a depender dos sabores escolhidos, e alimenta tranquilamente um grupão de seis pessoas sem deixar ninguém com fome.

Reprodução: Redes Sociais
Mocotó raiz
Já quem busca uma refeição com sustância, a ida ao Boteco do Vizinho, em Cajazeiras, é indispensável. Especializado na culinária nordestina mais tradicional, aquelas com as famosas comidas pesadas, o local oferece pratos como feijoada, cozido, rabada, sarapatel e o famoso mocotó. O carro-chefe, vendido sob o pretexto modesto de atender três pessoas, atende a clientela sem aperto e ainda deixa todo mundo encostado na cadeira, tentando fazer digestão.
Acarajé de quilo
Em Pernambués, a tradição do dendê ganhou proporções absurdas. Por lá, a estrela do bairro é o acarajé de um quilo, verdadeiro colosso que faz a fila dobrar uma das esquinas da Rua Thomaz Gonzaga - principalmente às sextas-feiras, quando o cheiro do azeite quente exala e avisa que o fim de semana está chegando. Acompanhado por vatapá, caruru, salada e, claro, camarão, o big acarajé passa longe de uma refeição individual. É capaz de alimentar uma família inteira.

Foto: Reprodução/Redes Sociais
Dogão de respeito
O Dogão da Dila é ums dos cases de grande sucesso no universo da comida tamanho GG, O negócio começou em 2019, a partir da sugestão de um amigo da própria Dila, que dá nome à casa — sogra do empresário Eduardo Alves dos Santos. A ideia vingou tanto que a marca cresceu e se espalhou pela cidade: a primeira loja nasceu em Fazenda Coutos, ganhou unidade em Paripe e hoje marca presença no Shopping da Bahia. Mas Eduardo percebeu que, para atrair e agradar todo mundo, o tradicional cachorro-quente com salsicha não era suficiente e exigia outras alternativas no cardápio.
Foto: Thaissa Oliveira
Pensando nisso, o imponente lanche de aproximadamente 45 centímetros ganhou opções de recheio bem fora do padrão salsicha, molho, batata palha e queijo ralado. No caso, almôndegas, frango empanado, carne seca com vinagrete e até camarão. Nossa equipe pediu três tipos. Não aguentou comer e teve que levar quase metade de volta para matar a curiosidade, ou melhor, a fome da redação.
O sucesso foi tanto que ultrapassou as fronteiras da capital baiana e chamou a atenção de gente famosa na internet. O youtuber Ricardo Corbucci, conhecido no país inteiro por viajar quebrando recordes de comilança, fez questão de passar por lá para encarar o dogão monstruoso.
Desafio lançado
E para quem gosta de uma boa provocação, o Dogão da Dila mantém um desafio oficial valendo prêmio: quem conseguir comer sete cachorros-quentes tradicionais de 30 cm, em até 1 hora, não paga nada, consome bebida de graça e ainda volta para casa com R$ 300 no bolso.
E a vantagem não para no competidor: se o comilão levar torcida para acompanhar a empreitada, a plateia que for junto também come de graça por conta do estabelecimento. A aposta está aberta para quem tiver coragem — e muito espaço na barriga. Os repórteres do Jornal Metropole, como já ficou claro, estão longe, muito longe de conquistar o prêmio.
Comendo com os olhos
Se engana quem pensa que essa onda de gigantismo é fruto exclusivo da generosidade dos cozinheiros. Por trás dos pratos enormes, existe uma engenharia de marketing afinada com a era da imagem. Em tempos de redes sociais bombando o dia todo, o prato não precisa só ser gostoso: ele precisa impressionar na tela do celular.
É a clássica história do "comer com os olhos" que vira compartilhamento automático nas redes e garante o sucesso do lugar sem precisar gastar uma fortuna em propaganda.
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