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Relator que absolveu réu por estupro de vulnerável é investigado pelo CNJ por abuso sexual

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Relator que absolveu réu por estupro de vulnerável é investigado pelo CNJ por abuso sexual

Magistrado será investigado por denúncias de abuso sexual após repercussão de decisão que absolveu homem acusado de manter relações com adolescente de 12 anos

Relator que absolveu réu por estupro de vulnerável é investigado pelo CNJ por abuso sexual

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Por: Metro1 no dia 24 de fevereiro de 2026 às 12:20

Atualizado: no dia 24 de fevereiro de 2026 às 13:35

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriu investigação para apurar denúncias de abuso sexual contra o desembargador Magid Nauef Láuar, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. A informação foi confirmada pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques.

Segundo o corregedor, ao menos duas pessoas serão ouvidas no procedimento administrativo instaurado pelo CNJ. As denúncias vieram à tona após repercussão de um julgamento conduzido pelo magistrado na 9ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. 

O caso envolve a absolvição, por maioria de votos, de um homem de 35 anos acusado de manter relações sexuais com uma adolescente de 12 anos. Em primeira instância, ele e a mãe da vítima haviam sido condenados pela 1ª Vara Criminal e da Infância e da Juventude da Comarca de Araguari. O Ministério Público sustentou que houve prática de conjunção carnal e outros atos libidinosos, configurando estupro de vulnerável.

Ao analisar o recurso, Láuar votou pela absolvição sob o entendimento de que a adolescente mantinha com o acusado uma relação “análoga ao matrimônio”, com conhecimento da família, e que não teria havido violência ou coação. O voto foi acompanhado por outro desembargador, enquanto houve divergência de uma magistrada.

A decisão foi criticada pelo corregedor Mauro Campbell, que classificou o entendimento como um “retrocesso civilizatório”, ao não observar posição consolidada do Supremo Tribunal Federal sobre a proteção integral de menores de 14 anos. O Superior Tribunal de Justiça também possui jurisprudência firmada no sentido de que o consentimento da vítima ou a existência de relacionamento não afastam o crime de estupro de vulnerável.

Além da atuação do CNJ, a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais apresentou representação ao TJ-MG pedindo o afastamento do relator. O tribunal informou, em nota, que recebeu a denúncia contra o desembargador e instaurou procedimento administrativo para apuração dos fatos.

Até o momento, Magid Nauef Láuar não se manifestou publicamente sobre as acusações.