
Justiça
Moraes vota para condenar irmãos Brazão por morte de Marielle Franco
Relator afirma que provas indicam motivação ligada a milícias e fatores políticos e simbólicos

Foto: Rosinei Coutinho/STF
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou, nesta quarta-feira (25) pela condenação de Chiquinho Brazão e Domingos Brazão, apontados como mandantes da execução da ex-vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Relator da ação penal, Moraes afirmou que a investigação da Polícia Federal reuniu “vasto conjunto probatório” capaz de demonstrar autoria intelectual e motivação do crime.
“Não há dúvidas que a atuação de Marielle Franco ameaçou os interesses dos milicianos, fazendo com que os irmãos Brazão determinassem a eliminação do que eles consideravam um obstáculo [...] Marielle Franco era uma mulher preta, pobre, que estava peitando os interesses de milicianos, qual o recado mais forte que poderia ser feito?”, disse na leitura do voto.
"Dentro desse contexto e da necessidade de perpetuação das suas atividades ilícitas, tanto para a finalidade econômica, quanto para a finalidade e domínio político dessa organização miliciana, dessa organização criminosa, Domingos Inácio Brazão e João Francisco Inácio Brazão foram os mandantes", completou o magistrado.
A Procuradoria-Geral da República defendeu a condenação de todos os acusados. Chiquinho, ex-deputado federal, e Domingos, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, são acusados de ordenar o assassinato devido à atuação da vereadora contra a grilagem de terras e a expansão de milícias no Rio.
Também respondem à ação o ex-assessor Robson Calixto, o ex-policial militar Ronald Pereira e o delegado Rivaldo Barbosa. O julgamento prossegue com a leitura do voto do relator.
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