
Justiça
Filho de Mãe Bernadete questiona defesa durante julgamento: “Deram 25 tiros para dar um susto?”
Filho da líder quilombola contesta versão de que crime teria sido apenas uma intimidação

Foto: Reprodução- Instituto Socioambiental/Henrique Duarte
O julgamento dos acusados pela morte de Mãe Bernadete ganhou novos contornos nesta terça-feira (14), no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. Durante o segundo dia de júri, o filho da líder quilombola, Jurandir Pacífico, rebateu a tese de que não havia intenção de execução. “Foram para dar um susto na minha mãe e deram 25 tiros. Imagina se fosse para matar?”, afirmou.
A declaração confronta a versão da defesa, baseada no depoimento de Arielson da Conceição Santos, que admitiu participação, mas disse que a intenção era apenas intimidar a vítima. Ele e Marílio dos Santos, apontado como mandante, respondem por homicídio qualificado. Segundo o Ministério Público da Bahia, os dois teriam ligação com uma facção criminosa.
O júri foi iniciado na segunda-feira (13), com depoimentos e sustentações das partes, e mobilizou movimentos sociais em frente ao fórum, cobrando justiça. Jurandir também afirmou que segue sob ameaça, mesmo com proteção, o que reforça a tensão em torno do caso.
Mãe Bernadete foi morta em agosto de 2023, com 25 tiros, dentro da associação do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho. Referência na defesa dos direitos humanos, ela havia denunciado a atuação de grupos criminosos na região.
O caso ainda remete à morte de seu filho, em 2017, e expõe um histórico de violência contra a família. A expectativa é de que o julgamento seja concluído ainda nesta terça, embora não se descartem novos desdobramentos.
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