Justiça
PF diz que ‘Sicário’ tentou se matar após prisão em investigação sobre fraudes no Banco Master

Investigadores afirmam que valores teriam sido mantidos em conta ligada ao pai do empresário; decisão é do ministro André Mendonça

Foto: Reprodução/Esfera Brasil
A Polícia Federal afirmou, em pedido de prisão preventiva enviado ao Supremo Tribunal Federal, que o banqueiro Daniel Vorcaro ocultou mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta atribuída ao pai, Henrique Moura Vorcaro, mesmo após ter sido colocado em liberdade no fim de 2025.
A nova ordem de prisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, no âmbito das investigações sobre o Banco Master. Vorcaro foi preso.
No documento, a PF sustenta que o risco de fuga permanece elevado, citando a existência de jatos privados à disposição do investigado e patrimônio no exterior, inclusive em paraísos fiscais. Os investigadores afirmam ainda que há indícios de dilapidação de bens.
A defesa de Henrique Vorcaro declarou que “são incorretas as informações divulgadas no sentido de que a conta mencionada na decisão do STF seja de sua titularidade”. Em nota, os advogados afirmaram: "A defesa reafirma desconhecer a existência de qualquer conta e com tais valores e reitera ser imperativo que os fatos sejam devidamente esclarecidos. Entende-se a legítima preocupação com a reparação dos danos, mas ressalta ser essencial preservar a correção das informações divulgadas".
Ocultação após soltura
Segundo a PF, mesmo depois de ter sido solto em 28 de novembro de 2025, Vorcaro teria mantido a ocultação de valores por meio de terceiros. As descobertas ocorreram durante a segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em janeiro deste ano.
Medidas de bloqueio financeiro revelaram R$ 2.245.235.850,24 mantidos junto à CBSF DTVM, conhecida como REAG. O pedido de prisão classifica o montante como uma “quantia impressionante” e afirma que ele só foi identificado graças às diligências da nova etapa da investigação.
Em outro trecho, a PF compara a ocultação de recursos ao rombo deixado pelo banco no mercado financeiro, estimado em quase R$ 40 bilhões e atualmente coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos.
"Enquanto o Fundo Garantidor de Crédito sangrava para cobrir o rombo bilionário deixado pelo Banco Master no mercado financeiro, montante que alcança quase 40 bilhões de reais, Daniel Vorcaro ocultava de seus credores e vítimas mais de 2 bilhões de reais junto a empresa conhecida por lavar dinheiro das mais perigosas organizações criminosas do Brasil, conduta ilícita que se perpetuou mesmo após ter sido posto em liberdade", afirmou a PF.
A prisão e as acusações
A decisão de Mendonça cita indícios de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção, crimes contra o sistema financeiro e obstrução de justiça. O ministro afirmou que a liberdade dos investigados colocava em risco a ordem pública, a integridade de vítimas e autoridades e a própria investigação.
Também foram presos Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, o coordenador de segurança Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.
De acordo com a PF, o grupo mantinha uma estrutura chamada “A Turma”, descrita como uma milícia privada voltada ao monitoramento ilegal e à intimidação de adversários, autoridades e jornalistas. Mensagens interceptadas indicariam ordens para agredir o jornalista Lauro Jardim, de O Globo, em um suposto assalto forjado. O jornal classificou o caso como tentativa de “calar a voz da imprensa”.
As investigações também apontam acessos indevidos a sistemas sigilosos da própria PF, do Ministério Público Federal e de órgãos internacionais, além da cooptação de servidores do Banco Central do Brasil, que teriam atuado como “consultores informais” do banqueiro. Segundo a PF, eles recebiam pagamentos mensais, por vezes de R$ 1 milhão, por meio de contratos simulados. Por decisão do STF, foram afastados das funções e passarão a usar tornozeleira eletrônica.
Crise no grupo
A liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro do ano passado, marcou o agravamento da crise no grupo, que também envolveu outras instituições financeiras ligadas ao conglomerado. O banco enfrentava risco de insolvência, pressionado pelo alto custo de captação e pela oferta de produtos com remuneração acima da média do mercado, como CDBs.
Tentativas de venda da instituição, incluindo proposta apresentada pelo Banco de Brasília, não avançaram diante de questionamentos de órgãos de controle e citações do banco em investigações.
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