
Justiça
Caso Henry Borel: julgamento chega ao sétimo dia com relatos de familiares e embate entre versões
Acusação sustenta que provas e laudos reforçam a responsabilidade dos réus pela morte do menino

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
O julgamento pela morte de Henry Borel, de 4 anos, chegou ao sétimo dia neste domingo (31), no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. São julgados o ex-vereador Jairo Souza Santos, conhecido como Dr. Jairinho, e a professora Monique Medeiros, padrasto e mãe da criança. Após o encerramento da fase de testemunhas de acusação, o júri passou a ouvir os depoimentos apresentados pelas defesas, etapa que deve se estender ao longo desta semana.
Testemunhas de defesa destacam perfil de Monique
A principal testemunha de defesa de Monique foi seu irmão, o engenheiro Bryan Medeiros da Costa Silva. Em depoimento que durou mais de oito horas, ele descreveu a irmã como uma mãe dedicada e afirmou que Henry era prioridade em sua vida. Segundo Bryan, nenhum familiar suspeitava que Jairo pudesse estar envolvido em agressões contra o menino. Ele também relatou que, após a divulgação dos laudos periciais, o ex-vereador teria tentado convencer Monique a apresentar uma versão diferente dos acontecimentos. A partir dessa suspeita, a família optou por separar a estratégia de defesa dos dois réus.
Acusação mantém versão baseada nas provas
O assistente da acusação, Cristiano Medeiros, afirmou que o depoimento do irmão de Monique não altera o conjunto de evidências reunidas no processo. Segundo ele, Bryan não presenciou os fatos e suas declarações foram baseadas em relatos feitos pela própria irmã após a prisão. A acusação sustenta que documentos e laudos indicam que Henry sofreu lesões enquanto estava sob os cuidados da mãe e do padrasto.
Perícias contestam tese da defesa
Durante o julgamento, médicos-legistas contestaram a versão apresentada pela defesa de Jairo, que atribui a morte às manobras de reanimação realizadas no hospital. Os peritos afirmaram que a criança apresentava múltiplos traumatismos na cabeça, lesões no tórax e hemorragias internas graves. De acordo com os especialistas, os ferimentos são compatíveis com agressões e indicam que Henry já chegou sem vida à unidade de saúde.
Relembre o caso
Segundo o Ministério Público, Henry morreu em 8 de março de 2021 após sofrer sucessivas agressões. A denúncia aponta que Jairo teria praticado violência física contra a criança e que Monique teria se omitido diante da situação. O ex-vereador responde por homicídio qualificado, tortura, fraude processual e outros crimes. Já a mãe do menino é acusada de homicídio por omissão qualificado e outras infrações relacionadas ao caso.
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