Quarta-feira, 11 de março de 2026

Faça parte do canal da Metropole no WhatsApp

Home

/

Notícias

/

Justiça

/

Gilmar Mendes dá 72h para Ministério Público do Rio explicar pagamento de penduricalhos

Justiça

Gilmar Mendes dá 72h para Ministério Público do Rio explicar pagamento de penduricalhos

Ministro do STF cobra informações após repasses continuarem mesmo após decisão que suspendeu benefícios extras

Gilmar Mendes dá 72h para Ministério Público do Rio explicar pagamento de penduricalhos

Foto: Gustavo Moreno/STF

Por: Metro1 no dia 08 de março de 2026 às 17:00

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, determinou neste domingo (8) que o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) apresente esclarecimentos sobre o pagamento de benefícios extras a integrantes da instituição. O prazo dado pelo magistrado é de 72 horas.

A decisão ocorre após o órgão continuar efetuando pagamentos considerados “penduricalhos” (valores adicionais como gratificações, auxílios e indenizações) mesmo depois de uma determinação anterior que suspendeu esse tipo de repasse.

Segundo o ministro, caso as informações não sejam apresentadas dentro do prazo estipulado, poderá haver responsabilização administrativa e disciplinar.

Na resposta enviada ao STF, o Ministério Público do Rio argumentou que os valores pagos não foram criados pela própria instituição. De acordo com o órgão, os pagamentos corresponderiam a parcelas que já haviam sido previamente reconhecidas e programadas pela chefia institucional.

A cobrança de explicações ocorre em meio a uma ofensiva do Supremo contra benefícios adicionais pagos a servidores públicos que podem elevar os salários acima do teto constitucional do funcionalismo, atualmente fixado em R$ 46,3 mil.

Em decisão tomada no dia 23 de fevereiro, Gilmar Mendes suspendeu o pagamento de verbas indenizatórias baseadas em leis estaduais ou atos administrativos inferiores. O ministro determinou que apenas benefícios previstos em legislação nacional poderiam continuar sendo pagos.

A medida também estabeleceu prazos para adequação: 60 dias para que estados interrompam pagamentos baseados em normas locais e 45 dias para suspender valores autorizados por decisões administrativas.

Na nova decisão, o ministro afirmou que as explicações apresentadas até agora pelo procurador-geral de Justiça do Rio não foram suficientes para comprovar o cumprimento da determinação do STF.

Por isso, Gilmar exigiu que o MP-RJ envie dados detalhados sobre todos os pagamentos realizados entre janeiro e abril de 2026. O tribunal quer informações como a lista completa das verbas pagas, valores individualizados, datas de autorização e documentos que indiquem quando as ordens de pagamento foram encaminhadas às instituições financeiras.

No fim de fevereiro, o ministro chegou a permitir, por 45 dias, o pagamento de valores retroativos que já haviam sido reconhecidos administrativamente e estavam programados. Ele alertou, no entanto, que qualquer tentativa de antecipar ou reorganizar os pagamentos para contornar a decisão poderia ser considerada uma forma de burlar a determinação judicial.