
Justiça
Nova 'Lista Suja' do trabalho escravo inclui BYD e Amado Batista
Governo federal atualizou o cadastro que reúne os nomes de empregadores flagrados submetendo trabalhadores a condições análogas à escravidão

Foto: Reprodução
Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou a atualização do Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão, conhecido como “Lista Suja”. A nova versão, divulgada na noite de segunda-feira (6) inclui 159 empregadores, sendo 101 pessoas físicas e 58 pessoas jurídicas. O que representa aumento de 20% em relação à atualização anterior. A relação inclui o cantor Amado Batista e a montadora chinesa BYD, que implantou uma unidade para fabricação de carros elétricos e híbridos em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador.
No caso da BYD, a montadora entrou no cadastro após o resgate de trabalhadores chineses em dezembro de 2024. Ao todo, 220 trabalhadores haviam sido contratados para atuar na construção da fábrica da empresa em Camaçari. Os trabalhadores chineses foram encontrados amontoados em alojamentos sem condições adequadas de conforto e higiene e eram vigiados por seguranças armados, que impediam a saída do local.
Segundo as autoridades, os passaportes eram retidos e os contratos incluíam cláusulas ilegais, como jornadas exaustivas e ausência de descanso semanal. Um dos trabalhadores ouvidos pelo Ministério Público do Trabalho da Bahia (MPT) associou um acidente com uma serra ao cansaço causado pela falta de folgas.
O MPT da Bahia também apontou que os trabalhadores entraram no país de forma irregular, com vistos para serviços especializados que não correspondiam às atividades desempenhadas na obra. Na ocasião, a BYD informou que a construtora terceirizada Jinjiang Construction Brazil Ltda cometeu irregularidades e que, por isso, decidiu encerrar o contrato com a empresa.
No fim de 2025, o MPT fechou um acordo de R$ 40 milhões com a montadora chinesa e duas empreiteiras, após ajuizar ação civil pública por trabalho análogo à escravidão e tráfico de pessoas.
Artista teve nome incluído após fiscalização em sítios
No caso do cantor Amado Batista, foram feitas duas autuações em Goianápolis, interior de Goiás, onde o artista tem propriedades rurais. Uma das ocorrências diz respeito ao Sítio Esperança, com dez trabalhadores. A outra envolve o Sítio Recanto da Mata, com quatro trabalhadores. Os casos ocorreram em 2024.
Em nota à imprensa, a assessoria do cantor afirmou que são “completamente falsas e inverídicas” as informações sobre o suposto resgate de 14 trabalhadores em propriedades vinculadas ao artista.
De acordo com a Auditoria Fiscal do Trabalho, os casos registrados nesta atualização da "Lista Suja" ocorreram entre 2020 e 2025, totalizando 1.530 trabalhadores resgatados da exploração. Os estados com maior número de inclusões foram Minas Gerais (33), São Paulo (19), Mato Grosso do Sul (13) e Bahia (12).
Entre as atividades econômicas, destacam-se a criação de bovinos para corte (20 casos), os serviços domésticos (15), o cultivo de café (9) e a construção civil (8). Do total, 16% das inclusões estão relacionadas a atividades econômicas do meio urbano.
A “Lista Suja” é publicada semestralmente e tem como objetivo dar transparência aos resultados das ações fiscais de combate ao trabalho escravo, que envolvem a atuação de Auditoria Fiscal do Trabalho (AFT), Polícia Federal (PF), Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Federal (MPF), Defensoria Pública da União (DPU) e, eventualmente, outras forças policiais.
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