Justiça
Justiça condena pastor Lucinho e Igreja Batista da Lagoinha após relato de beijo na boca da filha

Vídeos tratam do STF, endividamento no Brasil e do caso Lulinha; para o ministro, não cabe à Justiça Eleitoral definir qual interpretação política deve prevalecer;

Foto: Luiz Roberto/TSE
Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que devem permanecer no ar as peças publicitárias da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência que ligam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à crise no Supremo Tribunal Federal (STF). Elas envolvem o ministro Alexandre de Moraes e o endividamento das famílias. O material também sustenta que o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", teria feito pagamentos a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do petista.
Na avaliação de Nunes Marques, as críticas estão inseridas no debate eleitoral, e não cabe à Justiça Eleitoral definir qual interpretação política deve prevalecer sobre fatos submetidos à discussão pública. Os processos chegaram ao tribunal por iniciativa da campanha de Lula à reeleição.
A defesa de Lula pediu direito de resposta após um vídeo de Flávio Bolsonaro afirmar que o atual governo criou um "desequilíbrio institucional" e optou por "governar ao lado de uma parte do Supremo Tribunal Federal que descumpriu a lei", além de integrar um "sistema apodrecido". A peça também diz que o presidente teria "dividido seu poder com Alexandre de Moraes".
O PT argumentou que as declarações constroem de forma artificial uma coalizão política entre Lula e um integrante do Supremo, "sem indicação de competência presidencial que tenha sido transferida, compartilhada ou exercida pelo ministro Alexandre de Moraes". Na decisão, Nunes Marques não compartilhou do mesmo entendimento, e ressaltou que a atuação da Corte e de seus ministros é alvo de ampla cobertura jornalística, além de ser assunto do debate público.
A campanha de Lula também denunciou vídeos que responsabilizam o presidente pela situação econômica das famílias, com referências à inflação e ao endividamento, e questionou o impulsionamento desse material. Em um dos vídeos, a campanha de Flávio Bolsonaro usa de exemplo declarações de Lula sobre a picanha. O presidente do TSE observou que as falas exibidas eram autênticas e comportavam a leitura crítica.
Outra reclamação diz respeito a afirmações de que Lula teria tentado interferir nas investigações contra o filho, e que Fábio Luís receberia pagamentos mensais do Careca do INSS, um dos principais responsáveis pelos desvios de aposentadorias e pensões investigados na Operação Sem Desconto segundo a Polícia Federal. Nunes Marques defendeu que não se pode concluir que o material contenha afirmações flagrantemente inverídicas ou descontextualizadas, nem ofensa pessoal grave que justifique a concessão de direito de resposta.
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