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Novo impasse entre gigantes do varejo trava acordo sobre antigo Hiperbompreço do Iguatemi
Carrefour rejeita oferta de R$ 70 milhões feita pelo Grupo Mateus sobre 30% do imóvel e exige R$ 100 milhões para desistir de duelo, mas rede maranhense não aceita valor
Foto: Reprodução
Terminou sem acordo o duelo travado entre duas gigantes do varejo pelo antigo Hiperbompreço do Iguatemi. Semana passada, representantes do Grupo Mateus, rede supermercadista maranhense com forte atuação no Norte e Nordeste, e do Carrefour, que detém a bandeira Bompreço, tiveram uma reunião para discutir o imbróglio sobre a posse do terreno, mas nenhum dos lados do ringue aceitou o que o outro tinha a oferecer. O que arrasta o destino do imóvel e os planos dos empresários do Maranhão de instalar um Hiper Mateus no espaço para impulsionar o avanço do grupo em Salvador.
Caroço no angu
Segundo apurou a Metropolítica, o Carrefour recusou os R$ 70 milhões oferecidos pelos 30% que possui do imóvel e exigiu R$ 100 milhões para fechar o acordo, R$ 45 milhões a mais do que pagou pela fatia da área. Mas a contraproposta também foi rejeitada pelo Mateus, cujo sócio, o empresário Renato Furtado Zenni, é dono de 70% do antigo Hiperbompreço. Na ocasião, os representantes do grupo do Maranhão alegaram que, se o Carrefour aceitasse o mesmo ágio que aplicou na oferta para pôr fim ao impasse judicial, Zenni toparia vender a parte dele para o concorrente, que deixou a reunião com a promessa de submeter a proposta do Mateus à cúpula da multinacional francesa.
Idas e vindas
A disputa sobre o Hiperbompreço do Iguatemi se arrasta desde o início do ano. No início de abril, a pedido do Carrefour, a Justiça concedeu liminar para suspender o contrato de locação do imóvel administrado por Renato Zenni ao Grupo Mateus. A alegação foi de conflito de interesses, já que Zenni é também sócio dos maranhenses. Cerca de um mês depois, o desembargador Raimundo Sérgio Cafezeiro, do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ), cassou a liminar e liberou o aluguel da área ao Mateus. Contudo, o Carrefour mostrou disposição em levar a batalha a esferas mais altas do Judiciário.
Pano de fundo
Para executivos que atuam no varejo, outros motivos além do valor do imóvel move o Carrefour a melar o negócio é impedir que um concorrente de peso opere um megaempreendimento ao lado do Sam's Club, bandeira que pertence ao Wallmart, mas no Brasil tem o Carrefour à frente. O receio se deve ao fato de que o Grupo Mateus conseguiu se tornar a maior rede varejista do Nordeste brasileiro pela política agressiva de preços e pelo portfólio que contempla diversos segmentos da cadeia, de atacadões populares a supermercados premium.
Passagem de fase
Na Bahia, o grupo maranhense já tem lojas da bandeira Mix Mateus em Vitória da Conquista, Porto Seguro, Juazeiro, Itabuna, Teixeira de Freitas, Eunápolis, Jacobina e Conceição do Coité e está construindo uma unidade no Salvador Norte Shopping, sua primeira na capital baiana. No entanto, a expansão da rede passa necessariamente pela construção do primeiro Hiper Mateus na Bahia.
Papo inédito
Além de ações em conjunto na área de segurança pública, como o compartilhamento das câmeras de vigilância instaladas pela prefeitura de Salvador com as forças policiais do estado, as sete horas da reunião realizada na quarta-feira (27) entre Jerônimo Rodrigues e o prefeito Bruno Reis (União Brasil), a primeira desde que o petista assumiu o governo, serviram também para discutir pontos de atritos em ambos os lados da mesa. Sobretudo, a queixa frequente de Jerônimo de que a rede estadual na capital abriga cerca de 70 mil alunos do ensino fundamental, cuja atribuição é do município. No inédito bate-papo, Bruno Reis disse que absorve a demanda extra sem problemas, desde que o governo repasse para a prefeitura a fatia destinada pelo Ministério da Educação para custear os estudos desse contingente de estudantes
Redução de danos
De acordo com fontes do núcleo duro do governo e da prefeitura, o encontro foi articulado pelos chefes da Casa Civil estadual e municipal, respectivamente, Afonso Florence e Luiz Carreira, e ficou restrito apenas a assuntos administrativos, sem resvalar em temas políticos. Internamente, a resistência de Jerônimo em abrir a agenda para conversar com Bruno Reis em dois anos e oito meses de gestão era alvo de fortes críticas de aliados. Em especial, porque o prefeito reafirmava publicamente a vontade de ser chamado pelo governador para um encontro de gabinete, colocando o ônus pela falta de diálogo e de espírito público no colo do petista.
Dona da bola
Construtora que pertence ao primo do deputado federal Leo Prates (PDT), Mauro Prates, a Metro Engenharia prova mais uma vez por que é chamada de "fenômeno" no mercado baiano de grandes obras públicas, devido aos contratos milionários firmados tanto com o governo estadual quanto com a prefeitura de Salvador. Agora, a empreiteira venceu a disputa pela construção do Hospital Federal Regional de Paulo Afonso. Pelos serviços, receberá aproximadamente R$ 149 milhões, pagos pela Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder) por meio de recursos destinados pelo Novo PAC. Embora a unidade seja vinculada à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) e à Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), a tarefa de tocar a obra adiante ficou sob responsabilidade do governo da Bahia.
Freio de arrumação
No alto escalão do Palácio de Ondina, a dança de cadeiras realizada nesta quinta-feira (28) em cargos de comando na Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) foi atribuída à necessidade do chefe da pasta, José Castro, de reduzir as críticas recorrentes a seu desempenho no posto. De uma só canetada, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) exonerou diretores da Penitenciária Lemos Brito, Presídio Salvador e Cadeia Pública, todos no complexo prisional da Mata Escura, e de mais quatro presídios no interior - Eunápolis, Serrinha, Brumado e Juazeiro. Colocou no lugar pessoas de estrita confiança de Castro e do novo superintendente de Administração Prisional da Seap, Luiz Cláudio Santos.
Herança maldita
A grande maioria dos ocupantes de postos de direção de unidades prisionais defenestrados por Jerônimo havia sido indicada pelo antecessor de Luiz Cláudio, Luciano Teixeira Viana, demitido após uma sucessão de fugas de detentos. Entre os quais, 16 criminosos que escaparam do Conjunto Penal de Eunápolis em 12 de dezembro de 2024, quando oito bandidos armados invadirem o local para libertar um líder do Comando Vermelho, em conluio com a então diretora do presídio, Joneuma Silva Neres, exonerada dois depois da fuga e denunciada pelo Ministério Público da Bahia por ligação com narcotraficantes da facção.
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