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Caciques da base planejam ofensiva para pacificar relação entre Rui e Wagner

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Por Jairo Costa Júnior

Notícias exclusivas sobre política e os bastidores do poder

Caciques da base planejam ofensiva para pacificar relação entre Rui e Wagner

Duelo de poder travado entre ambos é visto por líderes do bloco do apoio ao PT como ameaça aos planos de reeleição de Jerônimo e Lula

Caciques da base planejam ofensiva para pacificar relação entre Rui e Wagner

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Por: Jairo Costa Jr. no dia 24 de março de 2026 às 15:39

Políticos da base aliada ao governador Jerônimo Rodrigues, todos com larga quilometragem em costuras políticas, vão deflagrar uma ofensiva em massa para pacificar a relação entre o senador Jaques Wagner e o ainda ministro da Casa Civil, Rui Costa, cujo duelo de poder que ambos travam nos bastidores é tido como o maior fator de crise no bloco de apoio ao PT na Bahia. A ofensiva, de acordo com líderes governistas, foi traçada para evitar que o conflito se arraste por mais tempo e coloque em risco tanto a reeleição de Jerônimo quanto a do presidente Lula.

Só tem a perder
"Vamos tentar convencer Wagner e Rui de que o cabo de guerra dos dois é prejudicial a todo mundo do grupo e mostrar com clareza os efeitos negativos (da disputa interna) para nossos planos nessa sucessão. Não adianta nada ir a público negar o que qualquer pessoa com o mínimo grau de discernimento já notou há tempos. Ou seja, que Wagner e Rui andam em pé de guerra para saber quem manda mais no PT da Bahia e que essa picuinha deles passou totalmente dos limites", disparou um experiente cardeal da base. 

Túnel do tempo
Outros quadros influentes da tropa governista admitiram à Metropolítica que um dos argumentos para pressioná-los  diz respeito ao passado. Mais precisamente à eleição estadual de 2006, quando Jaques Wagner, então ex-ministro das Relações Institucionais da primeira gestão de Lula, derrotou de forma surpreendente o governador do estado à época, Paulo Souto, cria do carlismo e considerado franco favorito. Na ocasião, a direita estava dividida entre os carlistas, centrados na figura de ACM, e os soutistas, que defendiam maior poder da criatura sobre o criador.

Vale a pena ver de novo
Na cúpula do PT, as desavenças entre ACM e Paulo Souto são vistas hoje como um dos fatores fundamentais para a vitória de Wagner 20 anos atrás. "Nós havíamos notado que a tensão entre eles era grande e decidimos investir nossos esforços nisso para atrair prefeitos da base do carlismo. Tinha liderança do interior que era tratada com certa indiferença por Paulo Souto porque era ligada a ACM, e vice-versa. O que não conseguimos de maneira oficial, conseguimos por baixo do pano, sem fazer barulho", recorda um dirigente petista que integrava a articulação política do partido em 2006.

Livre, leve e solto
Em direção contrária, o ex-prefeito ACM Neto, candidato a governador pelo União Brasil, nada de braçadas na maré virada dos adversários. Além de garantir a dobradinha da vice com o prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), Neto deve anunciar com pompa a chapa majoritária completa, tendo o ex-ministro João Roma (PL) e o senador Ângelo Coronel (Republicanos) nas vagas para o Senado, em Feira de Santana. A escolha do local tem duplo objetivo: afagar o prefeito da cidade, Zé Ronaldo (União Brasil), preterido em 2022 pela empresária Ana Coelho como candidata a vice, e mostrar que o episódio foi completamente superado.