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Ex-advogado de mulher que acusa Neymar diz que ela não relatou estupro, mas agressão

Informação consta em termo de rescisão de contrato; no entanto, mensagem trocada entre mulher e advogado mostra que ele não se surpreende com acusação de estupro

[Ex-advogado de mulher que acusa Neymar diz que ela não relatou estupro, mas agressão]
Foto : Reprodução/TV Globo

Por Juliana Almirante no dia 04 de Junho de 2019 ⋅ 06:51

O escritório de advocacia "Fernandes e Abreu Advogados" que representava a mulher que acusa o jogador Neymar de estupro encerrou o contrato com a cliente e alega que ela havia relatado uma agressão, mas não um estupro.

A mulher havia relatado a eles que “a relação mantida com Neymar Jr. foi consensual, mas que durante o ato ele havia se tornado uma pessoa violenta, agredindo-a, sendo esse o fato típico central (agressão) pelo qual ele deveria ser responsabilizado cível e criminalmente”.

O documento da rescisão do contrato foi divulgado pelo Jornal Nacional. A nota é assinada pelos advogados Francis Ted Fernandes, José Edgard da Cunha Bueno Filho e André Castello Branco Colotto.

O escritório diz se reunido com representantes de Neymar na última quarta-feira (29). “Feito o primeiro contato com os representantes do agressor, por intermédio de uma reunião realizada em 29/05/2019, foi rechaçada qualquer possibilidade de acordo extrajudicial na esfera cível por parte dos representantes de Neymar Júnior, que menosprezaram o ocorrido, lamentavelmente.”

Ainda segundo os advogados do grupo "Fernandes e Abreu Advogados", a mulher constituiu um novo defensor e depois registrou o boletim de ocorrência, em que citou o fato ocorrido em Paris como “estupro”.

“Por raiva ou vingança, V. Sa. relatou no BO registrado em 31/05/2019 fatos descritos em desacordo com a realidade manifestada aos seus patronos, ou seja, compareceu à delegacia, relatando que teria sido vítima de estupro, quando, na realidade que nos foi demonstrada e ratificada por várias vezes, V. Sa. teria sido vítima de agressões”, afirma o documento.

Outro lado

O Jornal Nacional também revelou uma troca de mensagens em que a mulher diz ao advogado José Edgar da Cunha Bueno Filho que foi vítima de estupro. A conversa foi divulgada pela atual advogada da suposta vítima.

A mulher deixa claro que quer divulgar o suposto crime e afirma que foi espancada e estuprada por Neymar. No entanto, o advogado não demonstra espanto com a afirmação e quer tentar um acordo.

Ela diz:“Por que a gente não joga logo na mídia pra acabar com a carreira desse pipoqueiro logo de vez? Ele me espancou e me estuprou.”

José Edgar responde: “Calma. Isso logo depois de apresentarmos a denúncia.”

A mulher rebate:  “Tô com raiva Zé. Eu devia ter matado ele quando tive a chance.”

Ele completa: “Não vai ficar impune. Mas você tem que saber que uma briga dessa demora. Por isso tentei o acordo.”

José Edgar chegou a se reunir com representantes do jogador, mas não concordaram com um acordo. Ele tenta convencer a mulher a não divulgar um vídeo, gravado por ela, do segundo encontro entre os dois. 

O escritório afirma no contrato de rescisão que a “alteração na verdade dos fatos”, poderia corresponder a denunciação caluniosa, crime tipificado no Código Penal.

Em nota, o advogado Gustavo Xisto, que defende Neymar, afirma que a reunião com os advogados da mulher foi para pedir um "cala boca". "Na oportunidade foi solicitada uma compensação financeira (“cala boca”) para que a suposta vítima não relatasse as alegadas agressões às Autoridades Policiais. Na oportunidade não foi apresentado nenhum laudo médico, tampouco vídeo, apenas fotografias", diz a defesa do jogador.

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