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1 em cada 200 mulheres baianas sofreu agressão nos primeiros 8 meses de 2015

A Bahia tem hoje um pouco mais de 7 milhões de mulheres. E, somente de janeiro a agosto deste ano, cerca de 35 mil baianas, maiores de 18 anos, sofreram algum tipo de agressão no Estado, segundo os registros de ocorrências policiais da Polícia Civil. Se você ainda não consegue perceber a dimensão do problema, explicamos: 1 em cada 200 mulheres do estado foram agredidas só em oito meses de 2015.

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Foto : Elza Fiúza/Agência Brasil

Por Camila Tíssia no dia 22 de Outubro de 2015 ⋅ 13:48

A Bahia tem hoje um pouco mais de 7 milhões de mulheres. E, somente de janeiro a agosto deste ano, cerca de 35 mil baianas, maiores de 18 anos, sofreram algum tipo de agressão no Estado, segundo os registros de ocorrências policiais da Polícia Civil. Se você ainda não consegue perceber a dimensão do problema, explicamos: 1 em cada 200 mulheres do estado foram agredidas só em oito meses de 2015.

Para piorar essa situação, algumas dessas vítimas reclamam do despreparo e demora no atendimento de delegacias especializadas. Só na capital, foram registrados 37 homicídios dolosos e 49 tentativas; em lesão corporal dolosa, o número ficou em 2.783. Pelo menos 95 mulheres foram estupradas e 4.688 ameaçadas até agosto. As outras ocorrências estão distribuídas nas Regiões Metropolitanas e no interior do Estado. 

Há uma semana, uma ouvinte da Metrópole fez uma denúncia sobre as dificuldades encontradas por ela ao tentar realizar uma queixa na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher, a Deam, após sofrer violência doméstica. Durante o desabafo, ela declarou que as orientações que lhe foram dadas a desencorajaram a denunciar. "Chamei uma viatura na minha casa, fui na Deam com o pouco de coragem que tenho e não consegui registrar a queixa, porque esbarrei com a exigência de ter de apresentar três testemunhas. Qual o vizinho ou colega que vai querer se meter em briga de casal? Como alguém pode saber o que se passa na minha casa?", questionou, indignada.

Em resposta, a delegada Eleneci Nascimento, da Deam localizada no Engenho Velho de Brotas, afirmou que burocracia não é a proposta da unidade. "Ela pode me procurar que estou disponível para corrigir esse engano e otimizar o trabalho da delegacia", falou, também à Metrópole.

A situação de intimidação também foi vivida por Márcia*. Após ter levado um tapa no rosto e sofrido tentativa de enforcamento, a vítima até conseguiu prestar a queixa, mas esperou mais de seis meses para que fosse ouvida. "No primeiro sinal do agressor, eu já fui procurar a delegacia. Mas a primeira dificuldade foi logo quando cheguei para prestar a ocorrência e esperei três horas para ser atendida. Em seguida, fui algumas vezes até a unidade, e a delegada não estava", disse.

Mesmo a delegada Eleneci Nascimento tendo afirmado à Rádio Metrópole que a mulher agredida deve primeiramente ser atendida por uma assistente social, não é o que costuma acontecer. Márcia afirmou que os funcionários são despreparados e grosseiros. "A mulher está fragilizada pela situação, vai buscar ajuda, mesmo com medo, e não encontra apoio no órgão que deveria proporcionar acolhimento. Os funcionários não sabiam nem como manusear o próprio sistema que eles trabalham e não existia nenhum tipo de apoio psicológico à pessoa que sofreu a agressão", declarou.

A vítima afirmou que foi instruída a mentir dentro da delegacia. "A agressão não aconteceu aqui em Salvador e, sim, em Brasília, na última viagem que fiz junto com meu ex-namorado. Quando fui ser atendida, eles me induziram a isso para dizer que a agressão tinha acontecido aqui na cidade, porque o sistema não aceita que a agressão seja feita em outro lugar, não dá essa opção de localidade", revelou.

A Deam existe há 29 anos e tem 13 unidades no Estado: duas na capital, em Brotas e Periperi, duas na RMS e as demais no interior.

* Nome fictício

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