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Política

Ciro rebate Haddad: 'Única coisa que pode ressuscitar o Bolsonaro é o lulopetismo'

Pedetista critica fala de candidato à presidência pelo PT e diz que tem sensação de que Lula 'tem um certo ódio ao povo brasileiro'

[Ciro rebate Haddad: 'Única coisa que pode ressuscitar o Bolsonaro é o lulopetismo']
Foto : Metropress

Por Matheus Simoni no dia 24 de Fevereiro de 2021 ⋅ 09:08


Ex-governador do Ceará e ex-ministro, Ciro Gomes (PDT) rebateu a fala de Fernando Haddad (PT), pré-candidato à presidência da República pelo PT para as eleições de 2022. Ele afirmou que ideia da legenda de manter o protagonismo só faz reforçar a posição de Jair Bolsonaro e a provável reeleição. Em entrevista a Mário Kertész hoje (24), durante o Jornal da Bahia no Ar da Rádio Metrópole, Ciro apontou que a ideia de Haddad concorrer novamente ao cargo é uma repetição dos mesmos erros das eleições de 2018.

"É um filme cujo fim a gente já conhece. Não estamos em 2018, estamos em 2022. Em 2018, vamos avivar a memória do nosso sofrido povo. Lula preso pela Lei da Ficha Limpa, que ele próprio botou em vigor, se anunciou candidato, explorando a gratidão que para cima do Brasil temos muito grande com ele, mas de costas voltadas para uma repulsa e um ódio antipetista, parte justa e injusta, que da Bahia para baixo é um desastre", disse o pedetista. 

"Nosso povo, de repente generoso como sempre foi conosco, virou tudo direita, gado-fascista? Esse é o problema do lulopetismo, não do PT. Eu me dou muito bem com Jaques Wagner e Rui Costa, dois baianos extremamente qualificados, embora constrangidos pelas questões internas do PT. Lula não consulta ninguém, virou um cacique que manda e o resto obedece, diz amém. Aí não tem reflexão: por que o nosso povo que nos deu tantas vitórias, de repente, fica 70% contra?", acrescentou Ciro.

Ainda de acordo com presidenciável, o crescimento da crise econômica no país reforçou a oposição ao PT, mesmo com todas as conquistas nos governos petistas. "Lula, poderoso demais, popular demais, vaidoso demais, prepotente demais, dono da bola demais e o Pelé, como ele mesmo se define, botou a Dilma, que não conhecia nada do ramo para continuar mandando. O próprio PT que fez isso, desastrou o Brasil. O salário mínimo caiu para 200. Hoje o Brasil só tem o salário mínimo menor no mundo que a Venezuela. Aqui, todos os países mais pobres que nós, o salário mínimo não é menor. Começou a queda do salário mínimo com a Dilma e Bolsonaro está acabando de liquidar. O lulopetismo pensa que o povo é burro? O povo sentiu no bolso, meu irmão", disse o ex-governador cearense.

"Vai me perdoar o Haddad, mas faz de conta que a gente é idiota e o povo brasileiro é todo imbecil? Palocci era o braço direito, a quem o Lula entregou o comando da economia brasileira. Palocci é réu confesso. Sabe quando ele devolveu? 100 milhões de reais e ainda guardou um trocado de 40 milhões numa delação premiada. Aí vamos fazer de conta que não aconteceu nem a crise estratégica que destruiu a economia brasileira com a Dilma, que caiu 3% num ano, 3% no outro, sem pandemia, em cima de uma roubalheira orgânica, eles pensam que o povo é idiota", acrescentou Ciro, que voltou a reforçar o risco de ter mais um governo e Bolsonaro por mais quatro anos. 

"Estão fazendo o mesmo filme e o resultado seria o mesmo se o povo brasileiro não tivesse acordado para ver que Bolsonaro é uma tragédia e que o antipetismo não pode virar uma reação de ódio. A gente tem que achar um caminho que não seja a continuidade de Bolsonaro e nem a volta ao passado lulopetista, que não vai conseguir voltar. A única coisa que pode ressuscitar o Bolsonaro é o lulopetismo", diz Ciro. 

Papel de Lula

Ainda segundo Ciro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstra descontentamento com o povo brasileiro. Reconhecendo o poder político do petista, o ex-ministro apontou que o ex-presidente reforça o antagonismo a Bolsonaro, sem formular um projeto para o país. "Lula é muito maior que eu, eu sempre terei humildade de reconhecer isso. Teve uma passagem extraordinária na presidência da República. O grande problema na política sul-americana e brasileira é o caudilhismo. Estamos pagando mazelas do Fernando Henrique. Ele assume, com todas as vênias do país para fazer a mudanças que precisávamos na esteira do Plano Real que eu ajudei a fazer, e, ao invés de fazer pelo país, faz por si mesmo. Suborna votos e faz pela reeleição", afirmou o ex-governador do Ceará. 

"De repente, reeleição e outra reeleição, depois bota o pau-mandado dele e tal, atrapalhando. O resultado é que ele acaba aperfeiçoando o antagonismo, isso é a tragédia brasileira da política. A outra que explica é que Lula é um gênio da política, ele sabia que Bolsonaro ganharia a eleição, claramente preferiu que Bolsonaro ganhasse a eleição do que eu. Porque ele imagina, no primeiro passo, que os critérios que os políticos fizeram para distribuir os bilhões de reais do fundo partidário e fundo eleitoral, é quantos deputados o camarada tem. Os políticos não estão pensando no Brasil ou por discussão ideológica", apontou. 

"Eu tenho uma sensação de que Lula tem um certo ódio ao povo brasileiro. Na cabeça de caudilho dele, quando foi injustiçado, e acho que foi na forma do julgamento, não que ele seja inocente, deveria ter descido em Curitiba, quebrado tudo e levado ele ao poder. Lula primeiro e único. Isso não aconteceu. Ele hoje está tomado, não sei se lucidamente ou inconscientemente, está tomado de ódio e mágoa do povo brasileiro", finalizou.

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