Faça parte do canal da Metropole no WhatsApp >>

Sábado, 04 de maio de 2024

Home

/

Notícias

/

Política

/

Larry Rohter narra em livro história alternativa do país com Nordeste independente

Política

Larry Rohter narra em livro história alternativa do país com Nordeste independente

Jornalista também fala sobre relação com ataques à imprensa e comenta nova fase de Lula

Larry Rohter narra em livro história alternativa do país com Nordeste independente

Foto: Metropress

Por: Matheus Simoni no dia 11 de março de 2021 às 14:42

O jornalista e escritor americano Larry Rohter comentou a produção do seu novo livro, que narra uma história fictícia envolvendo a ocupação holandesa no Nordeste. Em entrevista a Mário Kertész e Malu Fontes hoje (11), durante o Jornal da Metrópole no Ar da Rádio Metrópole, o comunicador falou que trata-se de uma visão diferente dos acontecimentos históricos do país. "É uma história alternativa do Brasil onde os holandeses ganham a batalha de Guararapes e o Nordeste continua como colônia holandesa até 1808, quando viram um país independente. Nesse país independente, os dois centros de poder são Pernambuco e Bahia. É uma história e segue. Uma visão diferente de dois Brasis diferentes, o holandês e o português", nara. 

Rohter foi questionado sobre o novo panorama político do país após a anulação das condenações que pesavam contra o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. O petista chegou a determinar a o cancelamento do visto de permanência do norte-americano no Brasil, o que faria com que Rohter fosse expulso em 2004. O pivô da decisão seria uma matéria considerada agressiva por Lula, onde Rohter escrevia sobre o "hábito de bebericar do líder brasileiro" em torno de uma possível "preocupação nacional" 

Diante da troca de farpas entre Lula e Jair Bolsonaro mirando a eleição de 2022, o jornalista citou a coluna do jornalista William Waack, do jornal Estado de S. Paulo. "É o tema de minha coluna da Revista Época, mas vou antecipar. Eu gostei muito da frase de William Waack. Ele disse que um confronto direto entre Lula e Bolsonaro seria um faroeste sem mocinhos. É isso mesmo", disse o comunicador americano.

Ele afirmou ainda que não há como comparar a situação do país na época em que foi correspondente do The New York Times com a perseguição na ditadura militar. "Muita gente esquece que eu também era correspondente no Brasil até 82. Peguei a ditadura militar e o estado democrático. Eu não diria que fui perseguido durante o governo Lula. Houve brigas, mas perseguição não. Perseguição foi a ditadura militar. Realmente foi campanha para intimidar jornalistas estrangeiros. No caso do governo Lula, o resultado final foi ótimo. Eu acabei ficando no país e o STF estabeleceu um princípio de que o jornalista estrangeiro tinha o mesmo direito de se expressar que o brasileiro", afirmou.

Para Larry Rohter, a relação de Bolsonaro com a imprensa diverge da posição de governos anteriores. "Nunca encontrei um governante que está satisfeito com o desempenho da imprensa. Mas a maioria dos governantes entende que é um papel legítimo e importante. Parece que Bolsonaro não entende isso. Para ele, qualquer crítica ou devassa é um ataque pessoal e ele responde com linguagem chula, insultos e ativa seus seguidores a intimidar as pessoas, os escritores e jornalistas. Cria um clima que não ajuda o fortalecimento da democracia", disse o jornalista.