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Bolsonaro tem espírito ditatorial, diz Otto sobre desfile militar em Brasília

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Bolsonaro tem espírito ditatorial, diz Otto sobre desfile militar em Brasília

Para senador baiano, ato patrocinado pelo presidente foi tentativa de intimidar deputados contrários à PEC do voto impresso

Bolsonaro tem espírito ditatorial, diz Otto sobre desfile militar em Brasília

Foto: Reprodução/YouTube/Rádio Metropole

Por: Alexandre Santos no dia 11 de agosto de 2021 às 08:17

O senador Otto Alencar (PSD-BA) afirmou nesta quarta-feira (11) que o desfile militar ocorrido na terça-feira (10), em Brasília, evidencia o "espírito ditatorial" do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Avalizado pelo mandatário, o ato foi visto como uma tentativa de intimidação diante da derrota que já se anunciava em torno da PEC do voto impresso —bandeira bolsonarista que, de fato, acabaria rejeitada na Câmara dos Deputados. O texto precisava de 308 votos para avançar, mas obteve apenas 229 favoráveis. Entre os parlamentares baianos, o placar foi de 21 a 9 pelo seu arquivamento.

"Inimaginável que o presidente da República apele para esse desfile, que nunca aconteceu com nenhum presidente da República, na tentativa de querer intimidar o voto dos senhores deputados na análise da matéria que estava na pauta, do voto impresso", declarou Otto em entrevista a Mário Kertész, na Rádio Metropole

"Bolsonaro tem realmente um espírito ditatorial, e ele vai tentar de todas as formas desestabilizar todas as instituições, tipo Supremo Tribunal Federal, Poder Judiciário", acrescentou o senador.

Segundo Otto, mesmo sem o apoio do centrão, deputados mais fieis a Bolsonaro ainda tentaram impor "um toma lá, da cá" na busca pelos 308 necessários à aprovação do texto.

"A pressão foi muito grande pelo governo Bolsonaro, inclusive usando a estrtutura de seus ministros, da Casa Civil, Secretaria de Governo. Alguns deputados que têm ligação política comigo até me passaram essas informações, oferecendo vantagens ou emendas para que se votasse a favor do voto impresso, que é uma visão de Bolsonaro, para, perdendo as eleições, poder impugná-las", disse.

A PEC barrada no Legislativo previa o registro impresso do voto em urnas eletrônicas. Na votação, seriam emitidas cédulas físicas conferíveis pelo eleitor, depositadas, automaticamente e sem contato manual, em urnas indevassáveis, para fins de auditoria.