Sábado, 02 de julho de 2022

Jornal da Metropole

Roma tenta quebrar histórico de fracassos da 3ª via e romper polarização na Bahia

Roma tenta escrever uma história diferente de Jutahy Magalhães Júnior (PSDB), em 1994, Geddel Vieira Lima (MDB), em 2010, e Lídice da Mata (PSB), em 2014

Roma tenta quebrar histórico de fracassos da 3ª via e romper polarização na Bahia

Foto: Agência Brasil

Por: Rodrigo Daniel Silva no dia 23 de junho de 2022 às 08:26

Reportagem publicada originalmente no Jornal da Metropole em 23 de junho de 2022

Com o apoio do presidente Jair Bolsonaro (PL), o ex-ministro da Cidadania e deputado federal João Roma (PL) tentará na eleição deste ano furar a polarização estabelecida entre petistas e o grupo político liderado pelo ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (UNIÃO).

Roma tenta escrever uma história diferente de Jutahy Magalhães Júnior (PSDB), em 1994, Geddel Vieira Lima (MDB), em 2010, e Lídice da Mata (PSB), em 2014.

O trio tentou, em pleitos anteriores, quebrar a polarização estabelecida, mas fracassou. O caso mais recente é de Lídice. À época, a então senadora foi a chamada “terceira via” na disputa entre Rui Costa (PT) e o ex-governador Paulo Souto, que tentava retornar ao poder.

A socialista, no entanto, não conseguiu passar do terceiro lugar, com pouco mais de 6% dos votos válidos. Rui acabou eleito no primeiro turno com 54%.

Quatro anos antes, o ex-ministro do governo Lula, Geddel Vieira Lima, foi o nome para furar a polarização baiana. O emedebista ficou com 15% dos votos e Jaques Wagner (PT) foi reeleito governador.  

“Não deu certo Geddel porque a Bahia é oposição e situação. Geddel ficou sem palanque nacional. Tinha feito acordo para ter palanque duplo na Bahia, com Dilma, mas quando ela viu que Geddel começou a crescer foi retirado esse apoio. Ele ficou sem âncora nacional. E, na Bahia, só se ganha com âncora nacional”, analisa o ex-deputado federal Lúcio Vieira Lima, irmão do ex-ministro, em entrevista ao Jornal da Metropole

Único segundo turno

No ano de 1994, Jutahy Júnior foi a bola da vez. Com 14% dos votos válidos, entretanto, ficou espremido entre Paulo Souto (com 49% dos votos) e João Durval Carneiro (25%).

“A eleição majoritária para governador tem dois polos. O principal sempre é quem está no governo, e o segundo é quem representa a principal força política da oposição. Em 1994, a população identificou que o candidato de oposição mais forte era João Durval. Terceira via é uma ficção, tem que ser governo ou oposição”, disse Jutahy. 

O ano de 1994 é emblemático nas eleições da Bahia. Foi a única vez que a disputa para governador foi para o segundo turno — desde a criação deste modelo, na Constituição de 1988. Neste caso, um candidato de terceira via ajudou a dispersar os votos entre os dois favoritos. Souto terminou eleito no embate com Durval.

O cientista político e professor da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), Cláudio André, vê dificuldades para Roma.

“Ser terceira via nos estados requer alto custo político. Acho que João Roma não se colocou como terceira via em tempo hábil, diante de uma construção político-partidária de médio prazo”, pontuou.

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