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Cientista político atribui “perfil personalista” e distanciamento com o lulismo como fatores para derrota de Neto

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Cientista político atribui “perfil personalista” e distanciamento com o lulismo como fatores para derrota de Neto

Como fatores favoráveis a Jerônimo Rodrigues, o cientista político Cláudio André de Souza elencou a força de Lula e a aprovação do governador Rui Costa

Cientista político atribui “perfil personalista” e distanciamento com o lulismo como fatores para derrota de Neto

Foto: Divulgação/Ascom/ACM Neto/Jerônimo Rodrigues

Por: Mariana Bamberg no dia 31 de outubro de 2022 às 11:06

Em entrevista à Rádio Metropole na manhã desta segunda-feira (31), o cientista político Cláudio André de Souza elencou os fatores que, em sua visão, levaram à derrota de ACM Neto (União) no pleito pelo Palácio de Ondina. Para o especialista, faltou o candidato do União Brasil se aproximar do lulismo para atrair o eleitorado baiano que deu  72% dos votos a Lula (PT). 

“Outro ponto importante: ele deveria ter tornado a campanha mais próxima de pautas relacionadas ao lulismo. Ele tentou, com isso de  independência, conseguir costurar uma relação com a base lulista no estado, mas não foi suficiente”, opinou o cientista político.

Outro fator citado por Cláudio André foi o que ele chamou de “perfil muito personalista”. Para o especialista, a escolha da candidata a vice, por exemplo, deveria ter sido pensada com base na magnitude eleitoral.

“Ele escolhe uma pessoa bem sucedida, correta, reconhecida na sociedade baiana, no entanto, sem nenhuma magnitude de carreira política. Sendo um candidato da capital e sabendo que a capital não decide as eleições, obviamente ele deveria ter escolhido um vice que tivesse representação no interior baiano e, sobretudo, que tivesse magnitude política”, pontuou o cientista político, que destacou também a necessidade de candidaturas proporcionais que tivessem representação nas cidades menores do estado.

Cláudio André citou também a polêmica da autodeclaração de Neto como um dos fatores de desgaste da candidatura dele. O cientista defende que, naquele momento, o candidato deveria ter voltado atrás para mitigar a crise gerada. 
“Talvez tenha faltado na coordenação de sua campanha entender que, numa escala de 0 a 10, o risco estava em 8, que seria muito melhor mitigar essa situação voltando atrás. Ele não fez, muito pelo contrário, ele rebateu. Em uma estado que tem infelizmente uma relação muito forte de racismo e sequelas deixadas pelo processo de escravidão, ele simplesmente dobra a aposta no segundo turno e não volta atrás. Algo que Ana Coelho, sua vice, fez”, analisou. 

Ao lado de Jerônimo Rodrigues (PT), eleito com 52,79% dos votos no último domingo (30), o cientista político elencou a força do agora presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estado; a aprovação do governador Rui Costa (PT); e a articulação com prefeituras do interior. 

“Mesmo com o racha do PP, a gente teve o governador Rui Costa articulando a manutenção da base governista no âmbito dos prefeito. Fizemos um levantamento no início da campanha,  muita gente entendeu que poderia não bater com a realidade, mas no primeiro turno confirmamos e vimos que Jerônimo tinha a maioria dos prefeitos baianos", destacou.