
Política
CGU recomenda demissão de 14 agentes por envolvimento na “Abin paralela”
Processos administrativos apuram uso indevido de inteligência política durante governo Bolsonaro

A Controladoria-Geral da União (CGU) abriu processos administrativos disciplinares (PADs) e recomendou a demissão de pelo menos 14 oficiais de inteligência e policiais federais suspeitos de participação no caso conhecido como “Abin paralela”.
As apurações atingem até agentes que não foram indiciados pela Polícia Federal (PF), mas que, segundo a CGU, teriam atuado em episódios irregulares dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante as gestões de Alexandre Ramagem e Victor Carneiro, no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Entre os casos citados, a CGU aponta ações contra a jornalista e pesquisadora Luiza Alves Bandeira, do DFRLab, que mapeou perfis e grupos em redes sociais responsáveis por ataques e desinformação em 2020. Segundo os processos, a atuação da Abin foi “clandestina” e motivada por interesses políticos, caracterizando desvio de finalidade. O uso do software de monitoramento First Mile também é apontado como indevido, reforçando o suposto emprego de recursos de inteligência sem respaldo legal.
As investigações indicam que, após a remoção de 88 contas coordenadas pelo Facebook e Instagram, ligadas ao chamado “gabinete do ódio” e a assessores de Flávio e Eduardo Bolsonaro, houve pedido explícito de Frank Oliveira e Marcelo Bormevet para “futucar” a jornalista.
Os servidores notificados tiveram prazo inicial de dez dias para defesa, prorrogado por 15, e Alexandre Ramagem também é citado nos PADs. Atualmente, Ramagem está foragido e foi demitido da Polícia Federal em 3 de dezembro após condenação por tentativa de golpe de Estado.
📲 Clique aqui para fazer parte do novo canal da Metropole no WhatsApp.

