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Prefeitos baianos defendem diálogo com órgãos de controle para conter alta de cachês de São João

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Prefeitos baianos defendem diálogo com órgãos de controle para conter alta de cachês de São João

Gestores alertam para risco de inviabilidade das festas juninas e propõem critérios ou tabelamento de valores para garantir sustentabilidade, especialmente em municípios de pequeno porte

Prefeitos baianos defendem diálogo com órgãos de controle para conter alta de cachês de São João

Foto: Divulgação/UPB

Por: Metro1 no dia 22 de janeiro de 2026 às 17:57

A crescente elevação dos custos para a realização dos festejos juninos levou prefeitos baianos a defenderem a abertura de diálogo com os órgãos de controle para a definição de recomendações e critérios que orientem a contratação de atrações artísticas no período do São João. A pauta entrou no rol de prioridades da União dos Municípios da Bahia (UPB) para este ano

O presidente da UPB e prefeito de Andaraí, Wilson Cardoso, destacou a preocupação dos gestores com a disparidade nos valores cobrados por artistas e produtoras, além do impacto da inflação sobre a estrutura dos eventos, como palcos, sonorização e iluminação. Segundo ele, a criação de um tabelamento ou de parâmetros de referência pode trazer mais equilíbrio e segurança às administrações municipais.

“Precisamos buscar uma reunião com o Ministério Público, com o Tribunal de Contas dos Municípios e outros órgãos para alinhar esse entendimento. Talvez seja o momento de criar uma tabela para os municípios, principalmente os menores. Acho que está na hora de tabelar”, afirmou Wilson Cardoso.

O prefeito de Jequié, Zé Cocá, que comanda um dos São Joões mais tradicionais do interior baiano, alertou que, mantido o atual cenário, a realização das festas pode se tornar inviável em curto prazo. De acordo com ele, o crescimento acelerado dos custos ameaça uma das maiores manifestações culturais do Nordeste.

“Do jeito que as coisas estão, em até três anos nenhum município baiano conseguirá ter condições de realizar o São João. Se este ano for igual ao ano passado, os custos devem aumentar cerca de R$ 5 milhões. Antigamente, com R$ 200 mil você fazia um São João razoável. Hoje, com esse valor, não se contrata nem a produção sonora para o palco”, ressaltou.

Wilson Cardoso também citou como exemplo as diferenças de valores pagos por um mesmo artista em cidades vizinhas, o que, segundo ele, evidencia a necessidade de critérios mais claros. “Não é razoável um município contratar uma banda por R$ 600 mil e o município vizinho pagar R$ 400 mil pela mesma atração. Isso não é legal e não pode continuar acontecendo”, declarou.

Mesmo reconhecendo a importância das grandes atrações para movimentar a economia local, o presidente da UPB reforçou que o momento pode ser uma oportunidade para valorizar o São João tradicional e autêntico do interior da Bahia, com sanfoneiros e forró pé-de-serra.

Prefeito de Riachão do Jacuípe descarta  embate com artistas
O prefeito de Riachão do Jacuípe, Carlos Matos, reforçou que a discussão não representa um embate com artistas ou produtoras, mas sim uma preocupação com a capacidade financeira dos municípios. Para ele, os preços praticados atualmente parecem seguir uma lógica própria, distante dos indicadores econômicos tradicionais.

“É importante deixar claro que não é nada contra as produtoras ou contra os artistas. O problema é que, para os municípios, se tornou inviável fazer eventos de grande porte como no passado. Existe uma inflação que parece ter criado um indexador próprio, que não obedece a nenhuma taxa ou parâmetro conhecido”, afirmou.

A UPB pretende agora articular reuniões com o Ministério Público e o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) para discutir alternativas que garantam transparência, equilíbrio fiscal e a continuidade dos festejos juninos, preservando uma das tradições culturais mais importantes da Bahia e do Nordeste.