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Apuração do Banco Central põe sob suspeita atuação de Campos Neto no caso Master

Política

Apuração do Banco Central põe sob suspeita atuação de Campos Neto no caso Master

Apuração interna revisita autorizações, omissões e escolhas regulatórias que permitiram crescimento explosivo do banco até a fraude vir à tona

Apuração do Banco Central põe sob suspeita atuação de Campos Neto no caso Master

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por: Metro1 no dia 29 de janeiro de 2026 às 17:35

Atualizado: no dia 29 de janeiro de 2026 às 17:36

A investigação interna aberta pelo Banco Central (BC) para apurar o caso do Banco Master rompe o foco restrito aos desdobramentos de 2025 e avança sobre decisões tomadas entre 2019 e 2024, período que coincide integralmente com a gestão de Roberto Campos Neto à frente da autoridade monetária. Na prática, a apuração lança luz sobre como um banco de pequeno porte conseguiu crescer de forma acelerada sob a supervisão do BC até chegar à liquidação extrajudicial, cercada por indícios de fraude fiscal e irregularidades graves.

O ponto central é o crescimento exponencial do Master, autorizado e acompanhado pelo Banco Central durante a presidência de Campos Neto. O banco saltou de uma instituição de nicho para um conglomerado com dezenas de bilhões de reais em ativos, movimento que hoje é considerado incompatível com os controles prudenciais esperados para instituições desse porte.

Alertas ignorados e fiscalização sob questionamento

Documentos e relatórios de mercado indicam que os sinais de alerta não eram inexistentes. Em agosto de 2023, a Warren Investimentos produziu um relatório interno que desaconselhava a compra de CDBs do Banco Master, apontava riscos elevados em relação ao retorno oferecido e colocava em dúvida a qualidade do balanço e a sustentabilidade do crescimento acelerado da instituição.

Mesmo assim, o caso não avançou para uma deliberação formal do colegiado do Banco Central. A explicação apresentada por Campos Neto, de que “não houve voto levado ao colegiado”, passou a ser interpretada, por críticos, menos como justificativa técnica e mais como evidência de uma escolha política dentro da própria autoridade monetária. Isso porque a definição da pauta do colegiado é atribuição direta da presidência do BC.

Decisões regulatórias e responsabilidade institucional

A investigação da corregedoria do Banco Central busca esclarecer não apenas por que a intervenção demorou, mas também quais decisões normativas e autorizações regulatórias permitiram que o Master ampliasse sua atuação. Entre os pontos analisados está a autorização para que o banco assumisse o controle do Banco Máxima e outros procedimentos que contribuíram para a expansão da instituição até um patamar hoje considerado insustentável.

Desde o início da apuração, dois servidores de carreira do BC deixaram a instituição, incluindo um ex-diretor de fiscalização que atuou durante a gestão Campos Neto, um movimento que reforça o desgaste interno provocado pelo caso.

Blindagem em xeque

A investigação também marca um ponto de inflexão na cobertura do tema. Reportagem do Estadão apontou que Campos Neto tinha conhecimento dos problemas do Banco Master ainda durante seu mandato e atuou para evitar medidas mais duras, como a liquidação antecipada. A publicação rompeu uma blindagem até então presente em parte da mídia corporativa, que tratava o episódio como um problema restrito à gestão atual do BC.

A tentativa de concentrar a crise apenas em 2025, já sob o comando de Gabriel Galípolo, perdeu força à medida que documentos e decisões do período anterior passaram a ser revisitados. Hoje, a própria investigação interna do Banco Central reconhece que o histórico do caso precisa ser analisado desde a origem.

Fraude, liquidação e impactos sistêmicos

O Banco Master é alvo de investigações da Polícia Federal e do Ministério Público por suspeitas de fraude fiscal e outras irregularidades. A liquidação extrajudicial, decidida no fim de 2025, ocorreu apenas depois de tentativas frustradas de operações de salvamento, como a negociação com o BRB.

O que está em jogo

Ao aprofundar a apuração sobre a gestão Campos Neto, o Banco Central tenta preservar sua credibilidade institucional, mas corre o risco de expor falhas estruturais na supervisão bancária e responsabilidades individuais de dirigentes e técnicos. O resultado da investigação pode não apenas apontar omissões e decisões equivocadas, como também forçar mudanças nos procedimentos internos da autoridade monetária.

Mais do que um caso isolado, o escândalo do Banco Master recoloca no centro do debate a pergunta que a investigação agora tenta responder: por que o Banco Central demorou tanto a agir - e quem decidiu que fosse assim?