
Política
Gleisi Hoffmann deixa ministério em março para disputar vaga no Senado
Atual chefe da Secretaria de Relações Institucionais será substituída por Olavo Noleto

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Gleisi Hoffmann, confirmou nesta quarta-feira (4) que deixará o cargo no próximo dia 31 de março para concorrer a uma vaga no Senado Federal, conforme o calendário eleitoral. Em seu lugar, assumirá Olavo Noleto, atual secretário-executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), conhecido como Conselhão.
O anúncio foi feito durante o seminário Brasil pela Vida das Meninas e Mulheres, promovido pelo Conselhão, em Brasília. O evento reforçou o enfrentamento ao feminicídio como prioridade nacional e compromisso permanente do Estado brasileiro.
Durante o encontro, realizado no Palácio do Planalto, Gleisi destacou que 13% das vítimas de feminicídio no país possuíam medidas protetivas em vigor no momento do crime. Para a ministra, é necessário discutir a efetividade imediata desses instrumentos legais e fortalecer sua aplicação prática.
Ela também questionou as razões pelas quais o Brasil avançou na ocupação de espaços de poder por mulheres, mas ainda registra profundas desigualdades socioeconômicas de gênero. Segundo Gleisi, o problema tem raízes culturais e históricas.
A ministra lembrou que a inserção das mulheres na vida pública é relativamente recente e que o direito ao voto feminino, conquistado na década de 1930, enfrentou forte resistência. Ela recordou ainda que o Código Civil tratava a mulher como dependente do marido até poucas décadas atrás, limitando sua autonomia para trabalhar, estudar e participar da vida social.
Gleisi afirmou que o seminário é fruto das primeiras deliberações do Pacto Brasil entre os Três Poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, voltado ao enfrentamento do feminicídio e de outras formas de violência contra a mulher. A iniciativa foi lançada em fevereiro, diante do aumento dos casos de violência letal contra mulheres, com foco em prevenção, proteção, responsabilização dos agressores e garantia de direitos.
O evento reuniu autoridades, representantes do setor privado e da sociedade civil. Entre os participantes esteve a ativista Maria Penha Maia Fernandes, cuja trajetória deu origem à Lei nº 11.340/2006, principal instrumento de combate à violência doméstica e familiar no país.
Em casos de violência contra a mulher, o serviço Ligue 180 oferece atendimento gratuito e sigiloso 24 horas por dia, inclusive por WhatsApp, pelo número (61) 99610-0180. Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.
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