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CPI do Crime Organizado quebra sigilo de fundo que comprou fatia de empresa de Toffoli em resort

Política

CPI do Crime Organizado quebra sigilo de fundo que comprou fatia de empresa de Toffoli em resort

Medida mira o Fundo Arleen, que adquiriu participação da empresa do ministro do STF no resort Tayayá

CPI do Crime Organizado quebra sigilo de fundo que comprou fatia de empresa de Toffoli em resort

Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

Por: Metro1 no dia 18 de março de 2026 às 18:43

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado decidiu quebrar os sigilos bancário e fiscal do Fundo Arleen, que adquiriu a participação da empresa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli no resort Tayayá, localizado no Paraná. A decisão foi tomada nesta semana após requerimento apresentado pelo senador Sergio Moro (União-PR).

Com a medida, os parlamentares pretendem acessar informações financeiras do fundo entre fevereiro de 2021 e janeiro de 2026. A estratégia busca avançar nas apurações mesmo após o STF ter barrado o acesso direto aos dados da Maridt, empresa da qual Toffoli é sócio. A quebra do sigilo dessa companhia havia sido autorizada pela CPI, mas acabou suspensa por decisão do ministro Gilmar Mendes.

Registros da Junta Comercial do Paraná indicam que o Fundo Arleen passou a integrar o empreendimento Tayayá em setembro de 2021, ao adquirir a fatia da Maridt por aproximadamente R$ 20 milhões.

Reportagem do jornal O Globo aponta que o Arleen tem como único cotista o Fundo Leal, ligado ao empresário Fabiano Zettel. Ele é cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, instituição que está no centro das investigações conduzidas pela comissão.

A CPI já havia determinado anteriormente a quebra de sigilos de Zettel. Informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), citadas por O Globo, indicam que o empresário movimentou cerca de R$ 99,2 milhões em poucos meses, valor considerado incompatível com sua capacidade financeira.

Parte dessas movimentações ocorreu no período em que Zettel passou a integrar o negócio do resort. O relatório também identifica transferências que somam mais de R$ 25 milhões direcionadas ao Fundo Leal.

Em manifestação divulgada quando o caso veio a público, Dias Toffoli afirmou que a venda da participação da empresa Maridt no resort foi realizada a preço de mercado. O ministro declarou ainda que nunca recebeu valores de Daniel Vorcaro ou de Fabiano Zettel.

Após o surgimento de novas informações envolvendo o caso, Toffoli deixou a relatoria do processo relacionado ao Banco Master no Supremo. O tema foi redistribuído e passou a ser conduzido pelo ministro André Mendonça.